26 de março de 2009

Traumatismo mental


Sabe aqueles dias que você acorda e o sol está de cabeça pra baixo? Que você anda e parece estar pisando em gelatina? Ou sei lá.. sabe aqueles dias em que tudo parece está invertido, tipo um mosaico chileno? Pois é, nem eu.
Na verdade a primeira coisa que te vem à cabeça é. Estou trabalhando demais, sentindo coisas estranhas, fadiga, estafa muscular.. O que seria isso? - se questiona ao parceiro(a). Daí você cumpre suas tarefas, vai pra lá, volta pra cá, sua agenda está lotada, é muita coisa pra fazer, não é? Duvido que você não tenha pensado umas três vezes só hoje que comeu demais, que está gordo demais, acima do peso... e aquele pensamento mesquinho e irritante vai subindo pela coluna e nossa, chega em êxtase e desnorteado no cérebro. E as crianças, sempre têm uma perto de você, tem uma próxima agora não tem? Sempre tem! Elas surgem do chão e começam a gritar, a correr em volta de você querendo brincar. Vamos brincar! Vamos brincar! E pasmem, nem elas mesmas sabem de que. De repente, a comida que tava no microondas esfriou, mas você ta com fome. Que fome! Imagina aquela deliciosa lasanha de presunto à bolonhesa com um copo duplo de vidro transparente de refrigerante, muito, muito gelado.
O pior é não ter o que fazer ficar vagando pela net à deriva, em busca de absolutamente nada, dando F5 no computador pra ver se a gatinha entrou na net ou se o namorado daquela moça que tu está de olho respondeu ao scrap dele? Vai dizer que tu nunca fez isso? Duvidoo.. aliás eu duvido também que suas pernas não estão coçando debaixo da mesa do computador, sempre tem mosquitos escondidos ali e o pior.. você sempre Poe no carrinho nas compras de mês no Carrefour uns três vidros de Baygon e outros dois de anti-repelente OFF. A merda é que esses produtos estão caros.. a crise ta aí e as coisas não param de ficar caras.. a carne? O feijão? E o dinheiro ta curto né.. as contas não param de chegar, os correios nunca erram o seu endereço, já as Americanas.com sempre deixam o livro que você comprou no vizinho, só porque você esqueceu de colocar fundos no campo – complemento – do formulário de compra. Contas, contas, quantas contas.. pior que os bancos também sempre estão cheios, lotados, mas você é capaz de responder isso? Porque as pessoas freqüentam tanto os bancos? Será que elas estão de bob em casa, e daí tem um insight. PLIN! Vou ao banco tirar um estrato! Poww e quando acaba o papel na sua vez? Aíi nem fala, a velhinha amistosa que você acabou de ajudar na fila foi a ultima a mexer na maquina e tirou tanto estrato e pagou tanta conta que acabou com o papel exatamente na sua vez. Que velha fdp! Aliás, velhinho é complicado.. você os ajuda na rua, mas pode reparar sempre tem um numa quadrilha e te faz de idiota querendo te assaltar! Sempre aparece isso na TV.
Tirando isso, nada melhor que sair com a namorada né? Bom isso quando ela não te dá um bolo ou pior, você leva ela pro cinema a pipoca cai no chão dois minutos depois que você comprou o pacote e cinco minutos antes de você descobrir que os ingressos pro filme que vocês se programaram um mês pra ver acabou. Faça o seguinte: leve ela ao Mc Donald´s, enfrente aquela fila firme e forte, pague 14,00 reais num sanduíche.. acredite, ela vai pedir um Big Mac especial, demora mais sabe, e quando ela abrir, vai ter o picles.. sim a anta da atendente sempre esquece de gritar É BIG GRILLL!
Aaaaaaa meu querido, fique tranqüilo, amanhã é um novo dia, você vai acordar cedinho pra ir trabalhar, vai esquecer a carteira em casa, ir de carro pro centro da cidade pegar um engarrafamento do kcte, ou melhor você vai de trem ou metro.. cheio demais! ÔO delícia! Ta calor né? Muito quente mesmo. Calma, calma.. eu sou otimista. Sai da net e vai ler aquele livro que você tem que ler, aquele mesmo que seu professor falou que vai cair na prova, à prova é discursiva, é uma questão só hein.. to avisando. Não se esqueça coma muito, mas se alimente você precisa de energia.
Duvido que você não sentiu pelo menos uma das coisas que eu narrei acima. Ou você se lembrou de algo e se reportou aquela situação chata e ficou angustiado ou você sentiu mesmo o que eu estava falando. Eu não sou chato. Só quis te irritar e mostrar como a mente humana é burra e facilmente manipulada.

22 de março de 2009


Campanha paradebate.blogspot.com CONTRA A PEDOFILIA!!! Denuncie já, através do Disque-Denúncia: 2253-1177

Minha Lapa


Ahh a Lapa.. o bairro mais boemio do Rio.. regado a história, destilado, seco, quente e frio. Desenhado por botequins, bares, casas de espetáculo, pleno em cultura, de artista e oráculo. Cheio, muito cheio, de mauricinhos e patricinhas gatas, viados, vadias, mulatas. A burguesia insana freqüenta o lugar e joga o resto de seu banquete a elite faminta que vagueia sem lar. Perdida sem rumo pelas ruas ladrilhadas e firma residência na esquina ou nas calçadas. A Lapa cheira a malandragem, a negritude preta e a juventude rulez, às cédulas de real e ao troco da vez. Aquela gente toda rodando perdida, chegando de copa do táxi ou do subúrbio do busão, com sede de entretenimento, de gozar a vida no fervo do bem-bom .
Os casarões antigos, frágeis, mal conservados ajudam a criar o que há de melhor na Lapa: a aliança do antigo com o contemporâneo, do velho e o novo, da criança, do camelô e do idoso. O som é meio confuso, a música ritmada consegue ao travesti agradar ecoa junto com a batida forte e seca do taco na bola preta da mesa de sinuca do bar. A tia do cachorro quente irrequieta vende feliz aquele bom pão com linquiça frita que junto com a cachaça batida e encorpada do tio da barraca da frente dá aquela queimada no estômago da galera farrista, queimada dura, dolorosa, masoquista. Dor.. que dor gostosinha e incomoda.. a dor que garante ao faminto sedento a noitada serena e louca vir a tona.
A praça meio cinza meio delinqüente, une as incertezas do futuro da cidade, cheia, repleta, rica e carente, bonita, entupida, lotada de zé ruelas que esbanjam boemia e vaidade. Os arcos pintados de um imundo branco, exala uma fragancia mixada de jean poul gutier, mijo e maconha, desperta a ânsia da moça que calça tamanco e mata o peguete que a chamou pra sair de vergonha. O cheiro da Lapa.. único, fede ao odor forte e embriagante do cotidiano, da noite vulgar e apimentada no centro da cidade, do estilo de vida conturbado e urbano, da vida sem preconceitos e vivida com intensidade.
No cantinho a menina pobre vende bolin balls e faz da voz um auto falante, o vigário passeia em volta da igreja, na mesma calçada que o pastor prega sozinho a palavra cristã protestante. A tia Zefa canta seu ponto pro cabloco e vende suas guias de contas na barraquinha sem teto. Sentir o calor humano, aquela cultura popular, marginal e erudita, lúdica, nos traz arrepio, afinidade e afeto. É possível tocar nos exlcuidos com a mão, aperto a agitação do lugar com os dedos, sinto na pele a energia acumulada daquelas vielas, sua história, seu anseios e medos. Piso em terra firme e esburacada feliz, cada buraco dali tem uma história, uma vida própria, passo cansado, abatido, tampando o nariz mas dando a mão a palmatória. O pecado, a felicidade, a harmonia, o equilíbrio mais desequilibrado de todos é o que pode ser encontrado ali. A puta de salto alto procura um cliente, o honda civic até pára contente, mas pra deixar o turista inglês que poupudo salta do carro pra consumir a carne brasileira, encorpada, polpuda, à baiana, à mineira..
A menina grita, os trilhos do bonde de santa teresa enferrujados pingam como um conta gotas, gotas da chuva do dia anterior. Gotas.. de cerveja e de cuspe com restinhos do gelo que vasa do isopor. A visão é linda. Aquela confusão de pessoas, de sotaques, de batidas, de ritmos e tribos, de gente, de povão, de burguesia acanhada e de lixo no chão. Que brega! Que chick! Olhar aquela gente reunida, euforica, suada, bêbada e embriagada naquela ruazinha estreita, me faz ver que a vida vale a pena e usufruir dos cinco sentidos é uma dádiva brilhante e perfeita. Salto agulha, tennis, chinelo... a calçada suja grita de alegria, cheia de latinhas e guardanapos usados, melecados de ketchup e mostarda Sadia. Entre uma fenda vejo em ponto de ataque o tímido e atordoado cansaço, escondido, anestesiado com o cachimbo de craque, consequencia da juventude vítima de fraqueza e fracasso. A sujeira linda, encroada no cimento garante aquela visão deslumbrante de coisa usada, de manhã o sol disfarça o mal tempo de noite a lua seca a pele suada. O território onde pisam piranhas, empresários e juventude transviada, consegue dividir espaço entre católico, crente e ateu, faz a classe média blindada sair de seus condomínios e se misturar com a tia baiana e eu. O território povoado e sem dono, satisfaz a todas as taras, desejos e fetiches de uma forma bem homogênea e peculiar, ainda que vítima do pouco caso do Estado e abandono, caminha firme com sua história a brilhar. O povo corta as ruas da cidade, as avenidas expressas do Rio de Janeiro.. a Perimetral, a Av Brasil, a Linha Vermelha.. sem medo. Inconseqüente, assíduo todos os finais de semana, traz no bolso as chaves de casa, a identidade e uma banana. O importante é estar lá, e ser mais um naquele amontoado de gente, contaminada pela insônia, com sorriso largo no rosto, bronzeada da praia e contente.

12 de fevereiro de 2009

É SOM SÓ DE PRETO? SÓ DE FAVELADO?


O funk melody já exaltava no início da década de 90,que “o funk não é modismo, é uma necessidade..." Sou carioca, funkeiro, universitário, branco. Freqüentador ascíduo dos bailes da Furacão 2000 e de algumas favelas. Não sou bandido, homicida, ladrão, traficante ou usuário de drogas. Sou carioca. O funk é meu único vício.
Um binômio retrata bem o funk: o amor e o ódio. Ou ele é exaltado e curtido das vielas do Chapéu-Mangueira aos ap´s de luxo de Copacabana ou ele é criticado e renegado pela mídia e pelos "cú doces" de plantão. Bem como o samba, assim que surgiu no Rio, o funk é tido como ritmo de malandro, de bandido. E hoje no que o samba se transformou: em patrimônio cultural, em grife, em representação da identidade nacional dentro e fora do país. Brasil sem samba é México sem novelas dramáticas de Marias do Bairro, Marias Mercedes, Maria Desconsoladas e Marcelos Augustos, é Austrália sem os pulinhos do Canguru, Dineylandia sem o casal Mickey e Minnie.
Em contrapartida aqui dentro de nosso país, não agüento, mas é realidade, uns e outros cismam em botar pra baixo nossa cultura. Funk é cultura de morro, de favelado, de pobre, de quem não sabe sequer o português, de preto, de ignorante, sim quem diz isso tem total razão. Mas desde quando nosso país é formado por intelectuais, ricos, que usufrui de uma justa distribuição de renda? Por outro lado, não entendo por que o movimento funk sofre tamanha deserção. Afinal de contas o forró e o axé baiano, por exemplo, fazem tantas menções sexuais quanto o funk carioca, talvez de forma menos explícita e mais ambígua. Mas segura o tchan pra mim é igual a "segura a piroca", hit do momento no mundo funkstyle, isso é! E cá entre nós: o que é "caralho'? Você nunca ouviu? Quem não sabe o que é? Quem disse que é palavrão? A propósito, quando você xinga, você grita "pênis!!" ou "órgão reprodutor masculino!" ? Perdão àqueles que usam essa forma educada de expressão, mas estou certo que não corro o risco de acometer a nem 0,0001% da sociedade brasileira.
O Funk carioca é um produto nacional. Diferente de movimentos emocore, hardcore e cia. que são produtos da indústria cultural que alcançam espaço caca dia mais amplos em nosso país. Por analogia, se o funk estiga o sexo, o rock estiga a briga, um lado sadomasoquista humano que a mim não agrada; se o funk forma os famosos trenzinhos da sacanagem, o rock convida às rodinhas punk. O surpreendente é que grande parte dos que fazem comunidades em sites de relacionamento e criam posts em blogs para criticar o funk, nunca foram a um baile funk original. Aliás será que eles já vieram ao Rio? Estou convicto que apenas falam o que a mídia expõe. E nós sabemos que a mídia sustenta apenas o funk comercial que lhe é conveniente. É evidente que o funksinho que toca na novela das oito é um funk “pra vender” de quinta, que toca apenas pra impulsionar o comércio do cd da novela. O funk de verdade, os funkeiros de verdade, não entram no mainstream. Os funkeiros de verdade não passam de amadores que estigam o sexo e o tráfico de drogas. Os funkeiros de verdade não têm sequer gravadora, não podem mostrar seu talento, sabe porque? Porque narram na íntegra o que vivem em suas comunidades, narram a verdade, o real cotidiano de suas favelas, de pretos excluídos e brancas alucinógenas, de trabalhadores e cocaína, de fuzis empinados e crianças traficantes. Os funkeiros de verdade, faz tempo, foram tomados como marginais desde os arrastões de 1992 nas praias da zona sul, atribuídos aos aventureiros do mundo embrião do funk pela imprensa legitimadora.
Eu sou funkeiro, assumido, não fumo maconha, eu respeito a cultura brasileira e valorizo-na. Não pago 600,00 pra ver Madonna no Maracanã apesar de adorá-la, conhecer sua história e talento internacional no mundo pop. Eu não uso moda importada, tipo cabelos coloridos e/ou roupas metálicas: isso meus caros não é Brasil, não é América Latina, é fruto das mentes consumistas e de vez em quando burras dos nossos compatriotas de continente, os filhos dos EUA, a maior economia do mundo. E é por essa capacidade de vender o espírito do necessário e do "cultural" que se baseiam na Doutrina Trumam, américa aos americanos, aos Mc Donald´s, ao tênnis Nike, ao Oasis e Jonas Brother´s da vida. Eu no entanto, abro mão dessa cultura importada e invisto no estudo do movimento funk. Apesar de por vezes ter sido criticado, indagado e ironizado, transformei o Funk em objeto de estudo científico dentro da comunicação social, principalmente por dois motivos: pra eu poder argumentar plausivelmente em defesa do movimento e ir contra a mídia e grande parte da população para provar que o Funk Carioca, é sim uma manifestação da cultura popular brasileira, queira você ou não.

2 de fevereiro de 2009

De olho na nave NO LIMITE?


Há uns oito anos atrás eu conhecia um programa novo em âmbito nacional que iria instigar a cabeça de telespectadores e revolucionar a grade de programação da maior emissora de TV do Brasil, a gigante Rede Globo de Televisão. Um programa que iria lançar moda, criar debates, formar opiniões, movimentar fãs e seguidores.
O programa dos milhões de reais, da casa mais moderna e “clean” do Brasil conquistou o público e trouxe a tona perfis de brasileiros de todos os tipos: do homenzarrão que chora por uma boneca de plástico e ferro a um cow-boy caipirão, dos conquistadores às domésticas, personagens que punham em cheque a questão da convivência e da aceitação das diferenças sob o mesmo teto, e acima de tudo a relação interpessoal sob as lentes de dezenas de câmeras que registravam cada segundo, cada passo, o que os participantes estavam fazendo. A intimidade estava perdida e a privacidade totalmente banida da linda casa construída em Vargem Grande no Rio de Janeiro.
Sob o comando do ilustríssimo Pedro Bial e seu texto inteligente, perspicaz e intocável, o programa flui de maneira tranqüila, e o mix de provocações entre o apresentador e os integrantes da casa, deixa a disputa mais quente, afinal a voz do Bial é a voz do público.
Um programa de massa, das massas. Pobres, ricos, gays, negros, brancos, crianças, adolescentes, idosos, pais, mães, alunos e professores... Todos, expectadores ascíduos ou não, sempre estão com o BBB no top ten dos assuntos mais debatidos do dia-a-dia. Quem não queria participar daquelas grandes festas de sábado na casa mais espiada do país?
Entretanto como dizia cazuza: “o tempo não pára” e acho que as teorias dele firmam o ideal e tem sido a base sólida do BBB 9, a música de Raul Seixas, Metamorfose Ambulante, parece traçar o retrato do novo programa que invade as televisões depois da novela das oito, no horário nobre da Globo.
Dentre todas as mudanças, uma, sinceramente estimulou um ar de revolta e injustiça, O QUARTO BRANCO. Qual o intuito daquele quarto? Forçar a loucura? O BBB passou de jogo de tabuleiro, onde os participantes podem mover seus próprios peões, a rixa de galo, onde os próprios animais são obrigados a brigar pela aposta e pela ganância do bicho homem?
O BBB tem sua riqueza, ignorantes aqueles que acham que o Big Brother Brasil é programinha de gente burra, pobre de cabeça e espírito, gente sem cultura, sem ocupação. O BBB nos garante horas ilimitadas de análise ao incoerente pensamento humano, seja dos participantes ou dos que estão atrás das câmeras, mandando e desmandando no andamento do cotidiano da casa.
O BBB se descaracterizou. Não vejo mais imparcialidade. Não vejo nada além do espírito capitalista do homem, que se submete a tudo por um milhão de reais, pouco, tenho a certeza, diante dos cifrões agremiados pelos merchans e pelos comerciais entre um bloco e outro.
O anjo virou monstro, o voto pode ser aberto, aliás, com o quarto branco percebi que o público não vota mais. O que havia de mais brilhante no programa, o poder do povo, o poder de quem prove o programa, o poder da democracia e da interatividade fora deixado de lado. A voz do povo já não é mais a voz de Deus. Não existe mais um cronograma, as mentes que estão ali dentro começam a ser manipuladas, saturadas, as pessoas dali não são mais autenticas, não são mais elas mesmas. Conseguir ficar preso num quarto todo branco, exposto apenas ao tédio e a irritação visual da estagnação vai contra qualquer sanidade mental, vai contra qualquer possibilidade de justiça, afinal não foram todos que foram submetidos àquilo.
Entrar no BBB é certeza do imprevisível. Mas acho que o imprevisível devia ser apenas pros participantes e não para o público, que passivo, assiste às edições curtas feitas todos os dias. Basta-nos apenas acreditar bestializados no que se veicula e assistir perplexos, na espera de novas loucuras da nave BBB, nave sem rumo, sem destino, insólita e perdida no espaço.
Lado A, lado B, casa de vidro, o ser humano tem sido tratado como elefante de circo, manipulado, treinado a mentir, a simular, a fingir, a construir uma personalidade e um comportamento em troca de uma maça de um milhão de reais. Até onde vale a pena dar ibope à mentira? A essa injustiça psiquiátrica. E diferente do Banco Imobiliário ou o Jogo da vida, no BBB o tabuleiro não é de papelão e o dinheiro não é de mentirinha, não se podem ler as regras na caixa do jogo e tão quanto nas ilegais rixas de galo, as regras são feitas na hora e quem não agüentar vai embora, o galo que morrer sai da disputa, não de pode criar estratégias. A minha dúvida é? O programa No Limite voltou ao ar de cara nova?
Resta-nos apenas fazer nossas apostas. Eu, dessa vez, não vou apostar em nenhum galo e sim numa galinha, afinal de contas, pelo menos uma das participantes íntegras do programa, não se espantem, vão ser assediadas e perder seus princípios trocando sua nudez e seu pudor por uns 200 mil reais da Playboy.

6 de novembro de 2008


Alerta "paradebate.blogspot.com" contra os maus tratos aos animais de circo. QUEREMOS UMA MAIOR FISCALIZAÇÃO NOS PICADEIROS!

19 de outubro de 2008

Amadores F.C



Sou brasileiro, não sei nada sobre futebol. É com esse paradoxo que começo minha prosa. Há pouco tempo, tiro de meta pra mim, punha em risco a vida das pessoas sentadas nos estádios. Pênalti era um tombo muito forte de um jogador. Bandeirinha era de fato, a bandeirinha da lateral, aliás, fui saber há pouco tempo, bem pouco que lateral era uma posição no jogo. Volante era uma peça do carro e que a “barca passando” botava em risco os jogadores e o técnico além das gaivotas da Bahia de Guanabara, isso eu soube ano passado.

Que o futebol é cultura popular, é movimento de massa, isso todo mundo sabe. Que o Flamengo tem a maior torcida do mundo isso já é senso-comum. No mundo da redondinha do meio do campo, um apito, sinaliza começo do jogo e não “sinal fechou”, galo, urubu, pato e elefante são muito mais que animais, são mascotes de time, na verdade elefante eu não sei se é mascote não, mas poderia ser. FutSAL, não é futebol de praia, futebol na verdade se escreve footbal que na verdade é soccer. Mas soccer não era meia em inglês? Não Socker é meia. Meia, também é uma posição dentro de campo, aprendi com Camila Lopes. Lanterna é muito mais que um objeto em dias de apagão, lanterna é sinal de perigo e de inconstância, de final da classificação, de últimos lugares. Ainda que lugar em futebol seja algo abstrato.

Abstrato? Bom, aquelas relações que são feitas, entre jogar fora de casa e dentro de casa, Denilsonzinho já está com cartão vermelho nesse jogo e outras historias do tipo são algo surreal, muito mais que lógico, é matemático. E não é que conseguem transformar essas proposições em equações matemáticas e se encontrar um número? Ex: Clube de Regadas de Rocha Miranda tem 47% de chances de vencer o campeonato.

E aquela história de goleiro cobrar falta. Gol + leiro = Gol - radical + leiro – sufixo de profissão. Jornaleiro, aquele que vende jornal. Goleiro, aquele que impede o gol. E o que dois goleiros fazem na mesma área? Um deles teria virado a casaca no meio do jogo?

Eu não sei narrar um jogo. Só sei quando é gol. Mesmo assim quando não tem um estraga prazer que corre antes do outro jogador e deixa o passe em impedimento, isso eu não sei até hoje. A parada é gritar gol em segundo lugar, e se escapolir antes e for impedimento, discordar do lance pode ser uma boa saída! “Impedimento porra nenhuma, esse juiz fdp é ladrão”.

Eu vou pro Maraca, afinal o que move essa gente toda nos domingos? É pra ver os quero-queros no campo? Que lúdico! É pra ouvir palavrão? “Caralho!”, “porra!”, “filho da puta!”... acho que não. É pra ficar ouvindo as musiquinhas que o pessoal canta? Com métricas quase camonianas, versos em soneto praticamente. Talvez. Eu sei que depois elas viram toque de celular.

Ir pro Maracanã e assistir uma partida de futebol é sentir o espírito brasileiro, sentir a energia da massa, o calor humano, é gritar “ULLLLLLLLLLLLL” e querer que os outros entendam, “quase foi lá”. Futebol é o encontro das cores, é o duelo que todo brasileiro pára pra assistir. É uma dança sem música, a trilha sonora vem da galera, sedenta por gol. Bem mais que 90 minutos, é o significado de dois tempos pros fãs. Futebol pra mim é talento + sorte. É mais sorte que talento. É oportunidade, é berro, é raça, é paixão. Futebol pra mim é uma palavra, um esporte, um jogo que fez sucesso no Brasil. Isso pra mim... Porque pra 95% da população brasileira futebol é a vida, é o sangue, é felicidade é um sonho de moleque.

Futebol é uma arte, saber jogar e assistir a um jogo completo um dom. Se Deus dá determinados dons a determinadas pessoas, eu sei que talvez por essa razão eu escreva e faça miojo tão bem.



15 de outubro de 2008

VOTE 43!


Para prefeito da cidade do Rio de Janeiro: Fernando Gabeira - 43 - PV

27 de setembro de 2008

Queria me dar uns amassos

“Se eu amo alguém, ela ou ele deve ter merecido de alguma forma...“Eles o merecem se são tão parecidos comigo de tantas maneiras importantes que neles posso amar a mim mesmo; e se são tão perfeitos do que eu que posso amar neles o ideal de mim mesmo.. “Mas, se ele é um estranho pra mim e se não pode me atrair por qualquer valor próprio ou significação, que possa ter adquirido para a minha vida emocional, será difícil amá-lo” – Zygmunt Bauman



Sabe aquele gostosinho, carinha de anjo, branquelinho tímido e depravado ao mesmo tempo.. o André.. você conhece? Não resisti, peguei.
Calma. Não fiquei maluco. Nem sou convencido. Muito menos virei viado. Mas é que no mundo narcisista, egocêntrico e carente de hoje em dia. Amar a si mesmo parece ser a solução. E sem querer acho que estou indo por essa linha. É um tal de cirurgias plásticas, anabolizantes, distúrbios alimentares, tudo pra ficar fodão. Que nossa...
Eu sei que daqui a quatro anos eu faço bodas de prata com ele. E cá entre nós 21 anos com a mesma pessoa é dose. Pelo menos, assim você não se decepciona, não precisa fazer DR – discussão de relacionamento e sim uma análise consciência. Em tempos de inflação quase galopante, pagar duas meias é pagar uma inteira. Namorando a si mesmo, você só paga uma meia e olhe lá. É apenas um BIG MAC no Mc Donald´s. Sempre sobra vaga no carro pra você levar mais alguém. Eu assumo, dou mole prumas gatinhas ae mais gostosinhas que eu. Afinal de contas os seios e suas bundas me satisfazem mais né, mas é tudo entre as coxas, sigilo total.
Dizem que devemos nos amar antes pra amar o outro. É eu levei isso muito na ponta da faca. Rostinho de anjo, inteligente, vaidoso, que tesão! Eu me quero! Não sou hermafrodita. Mas a idéia de saber que sou único me frustra. A solução é me dar uns pegas de vez em quando. Não é sexo nem masturbação não. É uns beijinhos na minha própria boca. Aquela máxima idiota de “eu me amo e sou correspondido” me retrata muito bem. Mas eu sou meio obcecado por mim mesmo, a ponto de não dar oportunidade pra mais ninguém. A parada é que sou bom de nascença. Sei lá, sou meio tímido, e fico com vergonha de me pedir em namoro, sei lá fim do ano me formo...
Eu sei que enquanto não pego coragem, EU TRAIO.


1 de setembro de 2008

BRICando de prevêr o futuro, o novo jogo da Estrela

A globalização trouxe consigo uma série de mudanças e transformações em todas nações do mundo, na vida de toda a população mundial e de todo cidadão. É evidente que aquela divisão entre ocidente e oriente, países do norte e do sul, desenvolvidos e subdesenvolvidos, pobres e ricos, do velho, do novo ou do novíssimo mundo já está ultrapassada e um tanto quanto defasada. Embora essa distinção ainda exista, hoje o mundo é dividido em blocos econômicos (Mercosul, UE, NAFTA, entre outros), ou em grupos de países que juntos fundamentam uma mesma política ou tenham o mesmo ideal em determinado assunto (OTAN, OPEP, Tigres Asiáticos e cia). Um desses grupos tem se destacado bastante mundialmente: O BRIC. Ressalto aqui que o BRIC não se trata de um bloco econômico, político ou militar, é classificado como uma associação comercial de cooperação mútua, desde 2002.
O BRIC é o termo q faz referência à Brasil, Rússia, índia e China. Quatro países que teoricamente tem muito em comum. Os quatro países tem uma economia aparentemente estabilizada, bem como a política, tem mão-de-obra abundante, níveis de exportação em crescimento, assim como o PIB, grande quantidade de investimentos externos, reservas de recursos naturais e algumas outras semelhanças. Sim eu concordo que os quatro países citados têm tudo isso em comum são países emergentes e com futuro promissor, entretanto discordo em alguns aspectos.
Segundo dados, juntos, esses países representariam mais de 40% da população mundial e um PIB de mais de 85 trilhões de dólares e suas economias juntas superarão as economias dos seis países mais ricos do mundo atualmente (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália) até 2050. Entretanto é complicado unir países tão diferentes e toma-los como as economias do futuro. Ainda que em desenvolvimento esses países tem muito o que fazer pra se chegar lá, além disso estabilidade deve ser a palavra-chave para que essa previsão se torne de fato realidade. Acho importante lembrar que a China, por exemplo, apesar de sua população gigante, causa de grande oferta de mão-de-obra e mercado consumidor, tem um regime comunista e vive uma ditadura histórica, que repercutiu na abertura de sua economia entre trancos e barrancos; a Índia é dona de uma desigualdade social impressionante, lotada de conflitos étnicos e religiosos; a Rússia por sua vez, apesar de sua rica história e seu grande poderio bélico, possui uma péssima distribuição de renda per capita, enquanto parte da Rússia evidencia o seu crescimento econômico progressivo e gradativo outra parte se vê submersa no passado e parece ter esquecido o sistema capitalista; o Brasil... meu deus.. o Brasil!! Kk Esse daí tem que encontrar um caminho, um rumo social racional.
Vou dedicar um parágrafo ao Brasil, afinal de contas, esse é meu país. Bom o Brasil de fato tem crescido economicamente, tem sustentado sua economia na agropecuária e isso lhe tem rendido boas receitas, vive um superávit interessante, tem regido de maneira responsável a dívida externa, tem até conseguido “plus” em graus de investimento por aí; como mostram estudos do IPEA, a distribuição da renda tem diminuído e coisa e tal. Mas devo lembrar que se a economia “deslancha” o social chora! Os juros internos estão no céu; esse programa do Lulinha PT de bolsas família, escola e alegria não vai funcionar por muito tempo, aliás pra mim não funciona, a classe média está sufocada; o sistema de ensino público é falido e vergonhoso, tanto quanto o de saúde, aliás o de saúde está moribundo; a violência vivida nas metrópoles, nunca bateu tantos recordes, os números do Iraque são pinto do lado dos números de vítimas de violência urbana das grandes cidades brasileiras; a corrupção então! O número de CPI´s acho que reflete bem nosso sistema político refleto de ladrões e falcatruas medíocres. Enfim, não sou guru nem pai de santo, muito menos economista (até queria ser), mas eu não confio muito nessas previsões acerca desses quatro aí de cima não, uns desses aí até acredito sim, mas para isso mudanças e investimento devem ser os carros-chefe para se alcançar essas projeções.
Alguns estudos divulgados esse mês, senão me engano, já apontam algumas divergências e mudanças nessas previsões. Segundo essas últimas pesquisas, a Rússia perderia seu posto para o México até 2030, e o BRIC já não seria mais o BRIC e sim o CIMB. Pois é, prefiro não arriscar nas quatro mais do futuro, e aliás não sei pra que fazem isso, afinal, estabilidade e certeza é algo que o mundo globalizado não nos permite ter.