27 de julho de 2008

CAMILA LOPES CHAVES - Mais uma carioca de fato!

EU SOU CARIOCA -- por Camila Lopes

Outro dia fui assaltada. Estudante de jornalismo. 20 anos. Classe média. Sempre estudei em colégio particular. A universidade, infelizmente, também é particular. Flamenguista apaixonada pelo Maraca. Não sou de farra. Não sou da night. Se os amigos chamarem até topo um baile funk. Não dispenso um samba. Carioca, sabe como é, né?!? Ano passado estive pela primeira vez numa quadra de escola de samba. Só este ano conheci a boemia da Lapa e fui “até o chão” num baile funk. Jornalista tem que conhecer essas coisas. Sempre saí de carro com o papai e de ônibus com a mamãe e a irmã. Há alguns meses comecei a encarar o centro da cidade sozinha. Estágio novo, o primeiro fora da segurança da faculdade. Pra que contar isso tudo se a crônica sobre o dia em que fui assaltada? Pra mostrar que pra ser considerado brasileiro e principalmente carioca o indivíduo precisa de alguns requisitos:ir ao Maracanã, ao samba, à Lapa e o mais importante, ter sido assaltado. Pronto, finalmente completei o ciclo.
Vocês devem estar pensando “ela deve ter sido assaltada numa dessas saídas”, “olha o lugar que ela diz frequentar...”, “é flamenguista e vai ao Maracanã, deve ter sido algum dos bandidos da torcida do Flamengo” . Não, não, não. Nada disso. Fui assaltada no metrô. Meio de transporte bonito, em que até executivos andam, esse mesmo.
Na verdade eu fui furtada, apesar de para mim a diferença entre assalto e furto se resumir ao lugar em que cada palavra se encontra no Aurélio porque nos dois casos nos tomam algo. Voltando a “historinha”. Eram 5 e pouca da tarde quando cheguei à estação da Uruguaiana, como sempre faço entrei na fila para comprar um bilhete da integração metrô-trem que custa R$3,60. Pois bem, bilhete na máquina e cartão do trem no bolso embarquei no metrô completamente lotado (como de costume, aliás). Eu não sei se vocês já andaram de metrô a essa hora, mas do jeito que você entrou, você fica. Se estiver ajeitando o cabelo, vai ficar com a mão pro alto; se estiver olhando pra baixo, nem adianta querer mexer muito a cabeça; e estava eu com uma mão segurando a bolsa e a outra tentando me segurar em um dos ferros. Naquela confusão senti alguém mexendo no bolso de trás da minha calça. A princípio pensei “deve ser impressão minha, tá cheio aqui, alguém deve tá tentando se acomodar melhor”, foi quando me dei conta que a pessoa estava insistindo naquilo e meu segundo pensamento foi “que droga, tem alguém passando a mão na minha bunda” (me desculpem o vocabulário, mas foi o que pensei). Foi então que decidi tentar chegar um pouquinho para o lado, mas a pessoa cotinuava. Com muita dificuldade abaixei a mão e a pus no bolso e pra minha surpresa: onde estava meu cartão do trem?!?!? Isso mesmo acreditem, tinham me roubado o cartão do trem. Minha primeira reação foi dar uma risada, aquilo não podia ser verdade. Um cartão de trem roubado, e era unitário, nem era daqueles com várias passagens. Olhei para o lado, vi que um rapaz me observava e quando o encarei ele desviou o olhar. Tinha sido ele. Olhei mais uma vez e dessa vez ele abaixou a abeça. Estava certa, tinha sido ele. Pensei em gritar. Gritar pra quem? Gritar o quê? “Roubaram meu cartão!Roubaram meu cartão!!!”. Me perguntariam “cartão do banco?cartão de crédito?” e eu responderia “não, a passagem do trem”. Com certeza as pessoas iam rir de mim e nada fariam.
Conferi se meu pendrive que estava no mesmo bolso estava lá. E estava. No outro bolso meu celular também intacto. O “bandidinho” só tinha roubado isso mesmo, um cartão de trem. Provavelmente não conseguiu alcançar os outros objetos. Provavelmente iria procurar outro bolso, ou bolsa se tivesse mais sorte, para roubar. Afinal ele não tinha nada a perder. Provavelmente, assim como eu, a próxima “vítima” não reagiria. Como eu disse ele não tinha nada a perder. Ali só havia trabalhadores, gente voltando pra casa depois de um dia cansativo de trabalho, gente que também não teria muita coisa nos bolsos. Quem sabe alguns trocados ou um celular seria o saldo final daquele cara. Repito, ele não tinha nada a perder.
Quando dei por mim já estava na Central do Brasil. Já ia descendo quando um homem me pediu pra ajudar um senhor cego que iria pegar o trem. Eu estava revoltada, pensei em não ajudar, mas como podia negar ajuda num caso daqueles e respondi “sim, claro”. Ainda bem que aceitei porque foi aí que percebi que ainda há gente de bem no mundo e que o Rio é um lugar de gente boa. Eu precisava contar pra alguém o que havia acontecido e me queixei para o senhor “acredita que me roubaram a passagem do trem?” Foi quando ele me respondeu “não tem problema, minha filha, eu tenho direito a passar com um acompanhante, como você me ajudou vai até a roleta comigo e passe também”. Fiquei surpresa, não sabia o que responder. Parecia que etava me aproveitando do velhinho. Eu disse “imagina, não precisa, eu deixo o senhor lá e vou pra fila”, mas ele insistiu “não precisa ficar com vergonha, é meu direito passar com um acompanhante”. E eu fui, né, já estava atrasada para minha aula de espanhol porque neste dia havia saído mais tarde do estágio. O motivo? Estava participando de uma manifestação pela paz, isso mesmo, pedia paz no dia em que fui vítima da violência urbana. Pedia paz porque uns dias antes o Rio, cidade maravilhosa, de praia, carnaval e futebol, chorava a morte de mais um João, um menino de apenas três anos morto em mais uma ação equivocada de nossa polícia. O “bandidinho” nada de me fez, graças a Deus. Mas poderia ter feito, afinal, bandido (ladrão de “galinha” ou de milhões, que esconde o rosto ou que usa farda, o que é chefe da “boca” ou o que tem conta na Suíça, não importa) não tem nada a perder! Agora, posso dizer que de verdade “eu sou carioca”.
obs: Texto de uma coleguinha amigona.

20 de julho de 2008


Protesto do "paradebate.blogspot.com" contra o teor radical da LEI SECA, imposta no Rio de Janeiro

19 de julho de 2008

BRASIL, meu brasil brasileiro..

OBS: Texto escrito em setembro de 2007. Quando fui assaltado, oops, quando me tornei finalmente brasileiro de verdade.



Bom.. Hoje eu fui assaltado.. Dei sorte.. Só me levaram um cordão de ouro e cinco reais. Poderiam ter me roubado um carro ou me tirado a vida.. Mas meu prejuízo foi só de 250,00 mais ou menos. Bom 250,00 é o valor que eu recebo nos 40% de bolsa que eu ganho em meu estágio enquanto aluno de jornalismo. Mas não titubeio em dizer; dei sorte! Não levei nenhuma bala perdida, nem me seqüestraram. E o que é 250,00? Digamos que é o que minha mãe gasta nas compras de mês? Ou com mais 100,00 um salário mínimo. Ahh.. mas qual brasileiro nunca foi assaltado? Brasileiro tem três características bem definidas: é simpático, bonito e vítima do abandono do poder público... E é exatamente essa última que faltava pra eu me tornar um brasileiro de verdade, com orgulho.. (o kcte!) ! Ontem eu dormi ao som de rajadas de metralhadoras, antes fosse Chopin.. E acordei com um corpo estirado na rua da minha avó. E olha que eu não moro em uma viela de uma favela qualquer, eu moro no centro do segundo bairro mais populoso do Rio, Bangu, no subúrbio da cidade. Que mundo é esse? O meu ué. O mundo que eu vou criar meus filhos, não porque eu queira, mas porque não tem outro. Ainda hão de chegar a Marte, que a NASA me ouça! Ahh detalhe eu vivo no Rio, ôo cidade maravilhosa, de Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, do samba de Tia Ciata.. Atualmente acho que Marcinho VP, Fernandinho Beira-Mar e outros desses aí se destacam mais na sociedade.. Como eles conseguem? Fácil, cometendo crimes.
Enquanto isso nosso presidente... Onde está? Tentando salvar o MERCOSUL na Argentina falida, na Bolívia de Evo Moralles, ou na Venezuela “socialista” de Hugo Chavez? Inaugurando alguma indústria portuária? A frente de algum sindicato? Aonde, aonde, aonde? Tenho minhas suspeitas, deve ta se dando por idiota e fingindo que não sabe das falcatruas do Planalto e do Congresso, junto com companheiros petistas bolando algum novo plano de salvar a classe pobre do Brasil, com alguma bolsa felicidade, alegria ou amor, custeada é claro pela nobre classe média, que paga caro seus tributos fiscais e carrega nas costas toda a sociedade. Ahhh ou então deve estar decorando algum texto pré pronto, é claro, com seus jargões inseridos nele para exaltar suas origens, e vangloriar seu único diploma! Só nesse país que um homem que mal sabe se expressar é eleito pelo povo. Ahh mas a economia deslancha não é Senhor Presidente.. ? Superávit comercial, recorde em exportações, e o Brasil nem é abalado pela crise mundial nas bolsas de valores né.. BRIC é a palavra... Brasil, Rússia, Índia e China.. meu Deus!! Quem inventou isso..? Os índices chineses de crescimento econômico são por alto, bem maiores que os do Brasil que lutam entre trancos e barrancos para crescer seus suados e megavalorizados pelo presidente 3 a 4% ao ano, isso sem falar que esse nosso país emergente está em fase de crescimento e com grande e promissor futuro desde a década de 50! Falando em desenvolvimento, o PAC hein.. O mais novo produto da Loja Lula, Programa de Aceleração e Crescimento, que distribuição incrível: O único bairro dentro os planos do programa na Zona Oeste do Rio é a Barra da Tijuca, o mais bem resolvido de todos e o que mais recebeu investimento do espetacular e feliz Pan-americano em que a Guarda Nacional de Segurança estreou com pompas e paetês. Falando em segurança.. Cadê a Guarda Nacional, aquela que não foi preparada pra invadir morro, mas é a solução para conter o narcotráfico e os conflitos em favelas? Fugiram com os Cubanos? Enfim.. Eu dei sorte..
Apesar disso tudo to vivo pra contar história! E falando sério o que é dinheiro? Só porque eu vivo no país com a maior carga tributária do mundo, que inventa impostos e prorroga o fim da cobrança de outros como o ICMS, eu preciso valorizar tanto o dinheiro? Que bobagem.. Tanta verba pública é desviada, tanto dinheiro roubado dos cofres públicos.. Que eu me pergunto.. O que são 250,00? Mensalão, mensalinho, mesadinha.. Conselho de ética pra quê? Pra se auto julgarem num tribunal no mínimo injusto, em que se fala, fala, fala e nada é feito ou decidido. Uns matam aqui, outros ali, e o que surge é um plano falho de desarmamento! Não é qualquer lei, qualquer idéia louca do nada.. É um plebiscito! Afinal senão me engano ainda vivemos numa sociedade democrata, ou de fato deveria ser. Não é um plano político perfeito, mas de todos digamos que seja o menos pior... Afinal não me perguntaram se eu era a favor ou contra as cotas para negros e estudantes de escolas públicas para alguns vestibulares públicos, muito menos minha opinião sobre o caso de Renan Calheiros, ou ainda do Sr. Roberto Jefferson e Cia., eles mesmos votam neles, eles mesmos se salvam, se corrompem, provam que são bandidos e os aliviam sem punição, lógico. Pra que cassa-los se daqui a uns anos os que estão votando contra, podem estar no lugar o réu? Parece que 20.000 por mês, não os satisfaz... Ora, nem a mim..! Quero um milhão! Corrupção e daí? Que coisa normal.. É um roubo qualquer poxa vida.. Como o corriqueiro que eu e outras centenas de pessoas fomos vítimas hoje.. Mais uma bobeirinha do ignorante povo brasileiro. Ignorante sim. Porque eu não entendo porque diante de tamanha desordem pública e estatal ainda sim, tenham a certeza.. Elegeria de novo esse nosso maravilhoso presidente, que governa para aqueles que como ele, não tem conhecimento da língua portuguesa. Ahh uma última coisa.. Galera economize água, não para guardar para nossos filhos, para nós mesmos, porque quando faltar irão roubar da gente..! (EUA).

12 de julho de 2008

DE JOÃO EM JOÃO, o Brasil vai aceitando a impunidade sem perdão

Alguns nomes das estatísticas da violência no Brasil

Ó Pátria amada idolatrada salve, salve! Salve as nossas criancinhas isso sim! Acho que nos últimos dois anos nada me chocou e comoveu tanto a sociedade brasileira quanto os crimes cruéis contra crianças inocentes. O aparato estatal de fato mais uma vez se mostra falido e insuficiente. Não há escolas, hospitais, tampouco oportunidades e ultimamente não se há mais respeito, nem por nossas crianças, nosso futuro.

Já se tornou casual ouvirmos falar de assassinatos de crianças, ontem uma é arrastada quilômetros, presa por um cinto de segurança de um carro pelas ruas do subúrbio do Rio até a morte, outra é jogada do sexto andar de um prédio em São Paulo, uma outra é encontrada ainda viva flutuando dentro de um saco plástico numa lagoa em Minas Gerais, e como se não bastasse, essa semana uma dessas tantas que sobraram, foi assassinada com simples VINTE tiros disparados por nossos PREPARADOS policiais militares. Que chocante! Sim por mais que essas manchetes de morte de crianças sejam rotineiras em nossos jornais, eu e toda a população ainda se assusta. E sabe por quê? Porque nós somos seres humanos. Somos seres vivos. Somos pais, mães, irmãos.. somos parte de uma família. Porque somos feitos do amor e é ele que nos move. O amor ao próximo. Porque somos diferentes desses crápulas insensíveis e irracionais.

O pior é saber que essa polícia que mata e não nos traz qualquer segurança, até o contrário a mim ela me remete ao medo, é àquela mesma que se aposenta no final do ano e faz uns bicos no poder paralelo no ano seguinte, ou seja, ela não se aposenta, ela apenas deixa de ter a carteira assinada. POR ENQUANTO! Não duvido que daqui a uns anos, bandido tenha direito a fundo de garantia, PIS, férias, tenha direito a empréstimos consignados até pela Caixa Econômica, tenha acesso a todos os direitos que um profissional decente, qualificado, digno e de respeito têm, regidos pela CLT.. Ahhh Getúlio! Nossa constituição foi feita pra eles, os bandidos. É um tal de Habbeas Corpus, direito a prisão em regime semi-aberto, multinhas medíocres, cestas básicas que não põe medo em ninguém. CADÊ A PENA DE MORTE PORRA? Pra não ser tão radical, onde estão as leis justas? Elas existem? Aliás, onde está a justiça desse país? É fome, é desemprego, é insegurança, é a indústria do medo, é um caos armado, e ultimamente as principais vítimas? Elas nossa prole indefesa e vulnerável, nossas crianças, abusadas diariamente por não saber escrever, nem sequer falar um português correto, não ter acesso à saúde digna e muitas delas nem a alimentação. Como se não bastasse, o amor e a compaixão por esses anjos de Deus, foram perdidos. Matar uma criança é como abater um boi. Não abala mais, não pesa a consciência, não há punição. Matar atualmente é sinônimo de contar, nada mais é que números, estatísticas, taxas e porcentagens que retratam o quadro absurdo em que chegamos, e apenas isso.

Nossa "Beautiful Police" não é bem remunerada, é despreparada – e isso não sou eu que estou dizendo – nosso caro amiguinho Beltrame, secretário de segurança do Rio que disse! E nosso governador parisiense? Ele está por aí, pela Europa, ou China, andando com aqueles triciclos motorizados hiper modernos usados pela polícia alemã.

Uma coisa é certa, o poder público e o paralelo estão a cada dia mais próximos, alias qual é qual? A roubalheira feita pelos chefões do tráfico, também é provida pelos chefões da Câmara dos Deputados (aaaa o Bolsa Escola), deputado tem palácio (ALERJ), traficante também, casas de oito quartos em Búzios e o cacete! A mão de obra do Estado também tem sido a mesma que prove terror e roubalheiras à população (òoo santas milícias!), o sargentão da PM de ontem é o sargentão do narcotráfico de hoje, com uma diferença, no tráfico ele ganha 10X mais! QUEEE TENTADORRR! Ou seja, o tráfico remunera melhor, dá estabilidade... mas não era o Estado que fazia isso, ou que deveria fazer? Têm concurso pra traficante? Enquanto o governo luta pra criar vagas de emprego, o tráfico o faz em dois minutos, e quantas vagas!! E os requisitos? Inglês? Domínio de softwares? Experiências anteriores? Não, apenas maldade e falta de respeito pelo próximo. Chego a seguinte conclusão: Porque os traficantes não treinam nossa polícia? Se o alvo principal não fossem os possíveis professores, bem que ter aulas por nossos rivais seria a solução perfeita, e se rolasse aquele dim dim pelas coxas, eles topariam certamente. Traficante atira pra matar a pessoa certa, já a polícia ultimamente nos provou que atira pra gastar munição e matar nossas criancinhas.

De João em João, e de Gabrielas, Isabelas nossa justiça se firma na lentidão e na impunidade, na injustiça, na irresponsabilidade, na bandidagem, na corrupção. De nomes, de uma lista de milhares deles são feitas nossas estatísticas. Nossa justiça não é justa, tarda e é falha. Nossa justiça não desmascara, esconde! Nada muda. Não se há perdão a quem mata. Não se acredita mais no judiciário, nem no executivo, tampouco no legislativo. Eu acredito sim, no poder paralelo. Esse sim vem me provando que é capitalista, forte e sustentado, infelizmente a cada roubo, furto, assassinato, troca de tiros, bala perdida, ele nos prova que quem governa nosso país não é a constituição, mas sim a ambição e a frieza que vem da Primeira dama de nossa nação: A Srª. Cocaína Maconha da Silva, uma mulher forte, que encanta e cega, formada em narcotráfico pela Universidad de la Bolívia e que alicia nossas crianças e jovens pra tirarem à vida de outras.

Quantos Joãos Hélios, Joãos Robertos ainda vão ter que ser sacrificados para ser tomada uma atitude? João o nome que é marca do Brasil e agora também, das estatísticas que contabilizam o número de mortos pela violência urbana em nossas cidades.

EU QUERO JUSTIÇA EM NOMES DE TODAS ESSAS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS! E VOU COBRAR! Não é uma ameaça, é apenas um direito meu enquanto cidadão brasileiro.

1 de julho de 2008

Campanha paradebate.blogspot.com em prol do "Assista menos e leia mais"

27 de junho de 2008

Pique estilingue ou Guerra Civil?

Dessa vez tudo ficou mais claro por mais evidente que essa situação possa ter chegado. Eu vivo numa cidade em guerra civil.
Acordei cedo depois de uma noite de sono pesado, interrompido apenas por algumas rajadas de balas. Arrumei-me e saí, alguns compromissos corriqueiros do dia-a-dia me aguardavam irrequietos. Tudo tranqüilo. O dia estava perfeito, temperatura agradável.
De repente, em uma das esquinas do meu bairro, cerca de 30 carros mais ou menos corriam lépidos e faceiros desfilando “segurança”. De quais carros estou falando? Dos carros azuizinhos e brancos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, sim aquela honesta e eficiente. E o que todo aquele cortejo estatal representava? Isso era o que eu estava me perguntando naquela hora.
Atrás dos carros, um grande blindado. Sabe aqueles que recolhem o dinheiro do Banco Real, do Mc Donald´s.. então só que revestido com uma carapaça cinza, uma caveira do lado... não era qualquer um. Era um blindado imponente, rude e.. e... vulnerável, como qualquer outro veículo ou automotor que ouse combater o tráfico, exceto os tanques do exército. Com uma diferença: um auto-falante na parte superior, usado pra fazer ecoar pânico, pra combater o crime sabe. (Que solução inteligente!)
Em silêncio, seguiam em direção a uma das 23939840403349300 favelas do Rio de Janeiro. Um comboio armado e aparentemente hiper qualificado. A imprensa também os seguia. Arrepios... e a população assistia perplexa àquele desfile que mais cedo ou mais tarde iria acarretar em uns três minutos do RJTV anunciando algumas meias dúzias de mortes (sorte a nossa se forem do exército inimigo).
Respondam-me meus nobres: Todos aqueles homens, alguns quarentões, que mexem com a cabeça e fazem parte de sonhos eróticos de algumas mulheres mais danadinhas, estariam se organizando por um grande pique-estilingue com fuzis empinados pra fora dos carros, ou estariam indo à guerra?
Um exército de fardados e armados até os dentes cortavam as ruas do meu bairro e partiam em “defesa” da população. Motoristas de Kombi, “bem apessoados” aos gritos, anunciavam: última remessa de coletivos!!! Afinal não iam deixar suas vans clandestinas a mercê do tráfico, que incendeia qualquer objeto de quatro rodas que cruzar o conflito, para vingar a morte de um traficante.
Isso tudo era em plena manhã de uma quinta-feira qualquer, e cá entre nós, por mais que tiros, balas perdidas, e violência já façam parte de nossas rotinas, todo esse movimento ainda pegava de surpresa, frágeis senhoras que voltavam da feira, crianças arrumadas pra ir ao colégio, e EU, sim, eu também fiquei bem surpreso. Daí me questionei: estou numa guerra civil? Em que país estou? Vieram-me a tona grandes nomes da violência mundial: Kabul, Bagdá, Faixa de Gaza...não não não estava na segunda cidade mais populosa do Brasil, àquele país emergente que sempre cito em meus textos, na maravilhosa Rio de Janeiro, a cidade das bundas despeladas no carnaval e dos shows pirotécnicos de reveillon.
Mais tarde, à noite, como já esperava, vi no RJTV, minha coleguinha Leilane Neubarth, mencionar a incursão em Senador Câmara, que me custou uma passagem “filantrópica”, digamos assim, à SuperVia, pois a circulação de trens havia sido interrompida no dia anterior por “questões de segurança pública” - anunciava uma das funcionárias da ferrovia por microfone.
Foi-se o tempo em que podia ficar tranqüilo na varanda da casa da minha avó brincando com meus amigos no portão e jogando conversa fora com meus primos. É, aquela manhã de quinta-feira me trouxe um ar nostálgico, dos tempos que eu podia ser criança, ser cidadão com segurança. Em que podia ficar até tarde brincando de pique pega na rua sem ter que me recolher com medo da violência, dos tempos em que polícia e ladrão era apenas uma brincadeira de rua. Minha avó já não se assusta mais com os tiros, e pasmem, ainda fica vendo os traçantes no céu estrelado, me revelou ela outro dia – podiam ser coloridos e em outros tons sem ser amarelo-fogo – brinquei com minha mãe. De madrugada por vezes acho que estou sonhando – será que sou militar e essa uma salva de tiros em meu enterro? Hoje é dia de São Jorge pra ter alvorada? Antes fosse apenas um pesadelo, o pior é perceber que os sons que ouço de noite são tiros sim, estão bem próximos, são de verdade, a única mentira é que o pique estilingue não é nenhum pique e sim uma guerra civil camuflada e que as balas perdidas não são tão perdidas assim, porque sempre acertam um alvo: o errado.

22 de junho de 2008

ÔO TREM BAUM!



São 17 horas. Estou no Castelo, no centro do Rio de Janeiro, ali pertinho do Consulado dos EUA, da ABL (Academia Brasileira de Letras), do IBMEC, fonte de beleza desenhada em rostos perfeitos da classe média alta que estuda ali. Da janela de um prédio na Franklin Roosvelt, me despeço dos meus chefes, do Sr. Gazanneo e parto pruma jornada longa e cansativa, cortando o Rio de Janeiro até chegar a meu lar doce lar.
Desço os nove andares na certeza de chegar antes das 18h na estação de metrô da Cinelândia, essa hora entrar num metrô é algo tão insuportável que chega a ser lúdico e indigesto ao mesmo tempo. Passos largos, apressados, meus pés às vezes doem, e meu Deus.. como os sinais da Av Presidente Antonio Carlos demoram pra abrir, ver o sinal verde está para o tiro dado pela pistola em dias de corridas no Jóquei Clube, ambos os sinais remetem a mesma idéia, corrida. Não estou sozinho nessa jornada, comigo outras dezenas de engravatados e senhoras bem distintas de sainhas, digamos que bem saidinhas e terninhos encantadores seguem o mesmo trajeto, e parte deles, acreditem, farão a mesma aventura que eu. Um deleite único de quem precise de transporte público para se deslocar pelas ruas movimentadas do centro do Rio.
No caminho, deixo por despercebido senhoras velhinhas com fome que me abordam pedindo dinheiro, vira latas sem rumo que perambulam pelas calçadas, mendigos com fome e carrões importados e alguns empresários que circulam como transeuntes gastando aquele inglês fluente que me embabaca, será que o meu é assim também? Famintos e ricos me rodeando, camelôs, aqueles japinhas vendendo óculos falsificados, pretos, brancos, amarelos.. gente de todo tipo e toda cor.
Passo pela Praça Paris, ali pertinho da Biblioteca Nacional e do Teatro Municipal e chego finalmente a uma das entradas do metrô. 3,60 R$ é o valor da passagem para essa viagem incrível. Pego uma filinha básica, passo na catraca, agora eletrônica (mas ainda falha), desço as escadarias e fico na ânsia a espero do trem. Meu Deus.. parece que todo o Centro do Rio bateu o cartão na mesma hora e resolveu se encontrar no mesmo lugar, o que me acalma é saber que lá em cima nas ruas, o trânsito é pior. Quatro pessoas por metro quadrado, é quente, o ar condicionado nem sempre dá vazão, e ali na estação mesmo, vejo o quão diferente é a vida dos moradores da zona sul, enquanto entram 10 num vagão da linha 1 indo, sentido Glória, entram 100 no sentido Largo da Carioca, enfim.. aquele aperto continua, e algumas vezes pasmem quase que entro numa porta e saio pela outra do lado contrário, QUE EDUCAÇÃO!! QUE PRESSA!! Pra que isso? Nossa! No fundo entendo, quero chegar em casa tanto quanto eles e sinto na pele o quanto todo aquele processo é incomodo e incompreensível. Carioca, Uruguaiana, Presidente Vargas, uffa! Central do Brasil.. quatro estações, cerca de sei lá, 10 minutos.. que segundos longos!! Só pode!
Abrem as portas, a correria começa, é um assalto? Tão dando doce de São Cosme e Damião? O último é a mulher do padre? Eu não sei qual é a brincadeira, e não entendo bem as regras, parece que o primeiro que chegar na grande fila dos balcões da central ganha. Eu sei que ou quando eu chego o doce acabou ou eu sou a mulher do padre, porque assaltado pelo menos eu nunca fui (ainda).
Subo um novo lance de escadas e me deparo com aquela bela visão. Central do Brasil.. ui delícia!! Que tesão! É ali onde minutos mais tarde prostitutas dividem lugar com crianças vendedoras de Halls e Nescau Balls para tirar seu sustento. Filas enormes se formam, é impressionante como não existe aquela figura do café-com-leite, ou você entra na brincadeira e batalha ou não vai embora.
Trem para Bangu plataforma 4 linha D, para Campo Grande plataforma 3 linha C, Belford Roxo plataforma 13 linha F, não galera não é batalha naval não, é batalha terrestre mesmo, talvez por isso seja tão difícil e irritante, prefiria jogar isso em tabuleiro. Quantos participantes, antes fossem sós 2 como no jogo normal, mas são milhares!!! Filas, filas, filas, filas... e a mulher não para de falar no microfone, plataforma x linha 1000! Plataforma k linha 200! Cala a boca!! Porque não se firma um local certo pra todos os dias? Todo dia trem para Bangu sairá da plataforma 2 linha B. Olha que fácil!! Sr. Sério Cabral, sanciona essa lei, ao invés de colocar plaquinhas rosa em vagões só para mulheres!!!
Continuando. Pego enfim, depois de 40 minutos de correria e participar de um jogo em que não existe pênalti nem canastra fechada, rei ou rainha, talvez peões de guerra, sem as damas, o trem. Às vezes tem lugar, às vezes não. Às vezes tem ar condicionado, às vezes não. Que transporte maravilhoso! E gente, eu paguei 3,60 pela brincadeirinha, uma bagatela pelo serviço. Às vezes minha leitura ou meu sonzinho no mp3 é interrompido pela ladainha de alguns fanáticos religiosos, outras por ex-dependentes químicos angariando dinheiro pra manter as obras de assistência que os salvaram, ou ainda de mães cegas pedindo resto de comida de nossos pratos... enfim, depois de 54 minutos de – frigellzinha um real – ou – moça, choquito, batom – ou ainda coisas mais ousadas – cigarrinha do creu, lápis com calendário, tesoura que esquenta a mão, caneta de chocolate, tabuada de 1 real ou o delicioso amendoim agtal que eu não posso mais comer por causa do aparelho nos dentes, depois de tantas promoções e uma riqueza nos discursos improvisados que nos impulsionam a compra, depois de muita correria e empurra, empurra na estação de São Cristóvão ou na de Engenho de Dentro, depois de passar pelo Maraca, Mangueira, Engenhao, minha universidade Gama Filho, os centros de candomblé e umbanda de Oswaldo Cruz, minha Mocidade Independente de Padre Miguel... depois de cruzar toda a zona norte e de exatas 24 estações, chego em Bangu, meu lar doce lar na zona oeste do Rio, cansado e como vitorioso, afinal eu sempre chego vivo e certo de que amanhã vou brincar de novo com meus amigos desconhecidos que às vezes me perguntam as horas ou me dão um empurrão pra conseguir entrar no vagão do trem.

20 de junho de 2008


Campanha paradebate.blogspot.com: "PLANTE UMA ÁRVORE VOCÊ TAMBÉM E AJUDE O PLANETA TERRA A FILTRAR CO2"

15 de junho de 2008

POR QUÊ COTAS RACIAIS?



Abaixo segue uma espécie de pingue-pongue sobre as cotas raciais em universidades públicas.





Entrevistador: André Luiz Barros

Entrevistado: André Luiz Barros


Por que elas existem?
Pra disfarçar um problema de desigualdade social e fazer parte de um discurso de “esquerda” que “preza” pela igualdade das classes e uma melhor distribuição de renda.

Por que essa desigualdade ainda existe?
Porque diferentemente do que ocorreu na Inglaterra e EUA, no Brasil os negros após a abolição da escravatura não receberam qualquer aparato de estudos ou moradia digna, se criaram no morro e tiveram que viver em condições muitas vezes desumanas, sem sequer saneamento básico e qualquer tipo de educação (dever do estado e direito to cidadão – previsto na constituição federal).

Por que os negros foram marginalizados?

Devido a esse abandono por parte do poder público se criaram em periferias e morros que com o passar do tempo começaram a ser guiadas pelo poder paralelo do narcotráfico. Viveram num ambiente de drogas, armas e crimes.

Somente os negros vivem em periferias?
Obviamente que não. Mas em sua maioria. Afinal também existem brancos nas favelas.

Por que os negros têm menos postos de chefia, são uma minoria em universidades e têm menos representação em programas de televisão?
Porque o Brasil segundo o próprio IBGE, órgão federal, é constituído de uma maioria branca, pelo menos até 2010. Então matematicamente falando é provável que a maioria de qualquer cargo e de qualquer curso seja branca. Obviamente reconheço que faltam oportunidades aos negros, mas que é improvável cogitar-se 50% de brancos e 50% de negros nesse tipo de comparação, pra mim não significa nada além do que já se sabe que os brancos têm maior poder aquisitivo e melhores oportunidades.

Por que os brancos têm maior poder aquisitivo e melhores oportunidades?
Por que de fato têm acesso mais fácil à educação e às oportunidades. Mas pagam por isso.

Por que então eu sou contra as cotas, já que elas levariam educação mais acessível à população negra?
Porque simplesmente isso é inconstitucional, irracional e preconceituoso. Brancos e negros se diferenciam em uma única coisa: taxa de melanina na pele, ou seja, isso não significa nada. Além disso, se a população branca tem acesso a mais oportunidade é porque ela paga por isso, senão não haveria tantos colégios, escolas e universidades particulares espalhados pelo país. Se a educação pública fosse de qualidade a procura pelo ensino privado seria pequena.

E porque o ensino privado é melhor?
Simplesmente porque a remuneração dos professores é melhor.

E porque não se investe na educação infantil e no ensino fundamental público?
Porque o sistema de cotas é mais barato. É uma solução burra e temporária apenas pra disfarçar as desigualdades raciais que por incrível que pareça parecem não ter sofrido quase nenhuma alteração mesmo depois de decorridos 120 anos de a princesa Isabel ter assinado a Lei Áurea. Entretanto a solução ainda que com resultados em longo prazo mais conveniente fosse essa.

E as pessoas que já estudaram e não vão ter acesso a esse “melhor” ensino público?

É preciso haver mudanças, o Brasil mudou, e toda mudança gera novas mudanças e consecutivas repercussões. O que é melhor? Mudar agora e tentar ajeitar justamente a questão da desigualdade racial, ou deixar como está e disfarçar essa desigualdade com o sistema de cotas para que novas gerações sejam educadas com esse sistema público de ensino totalmente falido e insuficiente (que se pergunta se aprovação automática é uma solução interessante – “nem comento essa idéia”)? Daí eu questiono: Combater injustiça com injustiça é a melhor saída?

Por que então o governo insiste nesse debate idiota de cotas pra negros?
1º Porque o governo tem que manter sua linha de satisfazer os mais pobres (ainda que economicamente falando a elite banqueira tenha angariado recordes nos últimos 8 anos de governo).
2º Porque fica mais fácil politicamente falando, aceitar essa injustiça histórica e disfarçar toda essa desigualdade social e fingir que está sendo feito algo em prol dos negros (como se fosse uma retribuição, um favor – de fato pra mim educação é obrigação do Estado e deve ser provida pelo mesmo a todos).

Existem brancos pobres?
Sim existem.

E como eles ficam?

Com nenhuma cota, já que tiveram a “sorte” de nascerem brancos.

E os negros ricos?
AAaaa esses sim tem direito a cotas, porque sua afro-descendencia garante a eles esse “direito”.

E a classe média?
Essa é encarregada de prover o que o Estado não provém. De pagar impostos altíssimos para ser revertida a bolsas família, felicidade e cia.

E porque ao invés disso não são criadas oportunidades para a população pobre e em sua maioria negra?
Porque assim é mais fácil. Os investimentos externos precisam de juros altos para continuar sendo feitos, o presidente precisa de números e mais números pra ter o que falar em seus discursos, e esses investimentos nos deram um turbilhão de coisas, entre elas o Grau de Investimento, pela agência Standar´s and poor´s e uma taxa de criação de empregos restrita, já que para controlar a inflação a técnica do governo é estipular a taxa SELIC alta e consequentemente, menos poder de compra, menor produção industrial, menos empregos.

E porque nosso presidente é tido como um exemplo de chefe de estado?
Porque ele conseguiu provar que no Brasil, diploma é apenas um papel bobo de limpar bunda, que anos de estudo não obrigatoriamente levam a lugar nenhum e que salvo algumas exceções os que não estudam tem os melhores posições sociais, ex: agiota, dono de padaria, jogador de futebol, modelos da playboy e outros.

Mas, ainda existe preconceito racial em nosso país?
Sim, e muito. Entretanto preconceito racial mesmo, é o que existe nos EUA, por exemplo, onde existem colégios, meios de transporte, bairros específicos só para negros. Aqui existe sim, partem de brancos e frequentemente dos próprios negros.

E no Brasil? Onde podemos perceber esse preconceito racial?
Bom, existem vários processos judiciais em trâmite, de preconceito no trabalho, na rua.. Mas atualmente pra mim, o maior deles, realmente é o sistema de cotas em universidades públicas, afinal de contas, Hitler estaria certo a respeito do darwinismo social? ÓOObvio que não né! Mas esse sistema de cotas pra mim vai muito por essa regra, senão não privilegiaria brancos nem negros, afinal é de nosso inteiro conhecimento que não existe raça superior (ariana dita pelo ditador nazista). Só existe uma raça humana e uma subraça: homo sapiens, sapiens.

E os albinos, daltônicos, ruivos, hemofílicos, soro-positivos, como ficam? Afinal eles também são uma minoria.

Isso aí eu deixo pra você pensar e ver o quão injusto e absurdo é esse projeto de cotas em universidade públicas.

Enfim, prezemos pela igualdade dos direitos civis, independente de cor, sexo ou religião.

28 de maio de 2008


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