20 de outubro de 2009

André – Uma foca em minha casa (baseado em fatos reais)

Em meados dos anos 90, um filme conquistou a criançada cinéfila de plantão. André – Uma foca em minha casa se passava na zona portuária de uma cidade minúscula da Inglaterra. A foca protagonista conquistou o pequeno Toni, que com muita esperteza conseguiu adotar o animal e impedir que ele virasse atração de circo.

Bom, essa história aconteceu na Europa, sendo que o que o filme não contou e ninguém sabe, é que a foca André, 10 anos mais tarde, fugiu da cidadezinha inglesa e veio se refugiar do frio na região litorânea da costa brasileira, mais especificamente na grande Rio de Janeiro. A viagem foi cansativa, mas tão logo aportou em águas cariocas foi muito bem recebida e conquistou a todos que, muito embora, não acreditassem em seu destino feliz, achavam-na uma gracinha, simpática e muito inteligente.

A foca decidida e muito bem adestrada por Toni, logo se viu na condição de adulta, mesmo aos 17 anos, e tinha que a partir daí, que escolher seu futuro e desenhar como gostaria de viver. Havia várias possibilidades, trabalhar em circo (no sistema de escravidão); no Zoológico, sendo remunerada apenas com alimento; não trabalhar... mas o bicho inteligente parecia que tinha cérebro, e mais tarde ele ia provar isso a todos. Decidiu entrar numa universidade e trabalhar como foca num jornal, afinal de contas, as melhores focas das redações, garantem os cargos de editoria, os mais quistos do veículo. Para isso André precisava se destacar.

Muito sabido, o animal que já havia estudado inglês por 10 anos e arranhava um pouquinho espanhol, tentou vestibular para as melhores academias da cidade. UFRJ, UERJ, UFF... mas, por mais que fosse inteligente o suficiente para levar o curso, nenhuma delas o aprovou. A precariedade do sistema público de ensino superior era evidente, mas ele teve que lutar na escala de 42 candidatos por vaga na UFRJ pra seguir a carreira de jornalismo, não conseguiu. Na UERJ, não conquistou a vaga, por não se definir como negro, isso quase 50 anos depois da tese Hitleriana do arianismo e o darwinismo social terem sido postos em cheque, e completamente abatidos da Terra, no pós 2º Guerra Mundial. Mas não havia como ele convencer o reitor que aquilo era irracional e ignorante, e que ele não podia ser penalizado por conta de pecados abolicionistas da época do Império.

O governo brasileiro até chegou a testar os conhecimentos dele através do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), a média nacional na época não chegou nem a 4, enquanto o esperto André, tinha alcançado nota média quase no patamar de 9, o que não levou-o a lugar nenhum, além de gráficos estatísticos vergonhosos usados pelo IBGE, para medir a burrice da juventude brasileira e a uma matéria exatamente sobre o desempenho dele na revista Guia do Estudante, da editora Abril. André ficou desapontado, mas naquelas circunstâncias, nada lhe restava além de se matricular numa universidade particular. E foi partir daí que o coro resolveu comer, e uma série de incoerências e absurdos começou perseguir a foquinha, que mal sabia na época as regras que vigoravam na CLT.

Entrou numa primeira universidade em Realengo, próximo de seu lar, que despendia do orçamento mensal da residência onde ele vivia R$412,00 mensais. O curso era fraco, por vezes não tinha aula e sequer a informação de em qual sala ela seria ministrada. O MEC, uma espécie de conselho que analisa entre as coxas a qualidade do ensino no Brasil, não tinha dado ao curso uma boa nota naquele ano, mas não havia outra escolha. Meses depois, conseguiu estágio numa empresa, mas não tolerou a universidade e preferiu mudar pra outra melhor. Já na segunda universidade André conheceu pessoas novas, mas o que ele não esperava é que ela, batizada por uns e outros como Grana Filho, em referência às altas taxas praticadas, iria despender por mês mais de R$700,00 do bolso daqueles que lhes bancavam.

André e seus entes próximos foram até a reitoria da fundação, para tentar angariar algum desconto hipóctra de 10 ou 15%. Em vão. Naquele mesmo ano, o governo federal, botaria em vigor um projeto chamado ProUni, o que atingiu diretamente à classe média baixa, que não tinha como pagar os setecentos reais por mês, mas que era obrigada a fazer isso caso quisesse realmente investir em EDUCAÇÃO. Ganhavam bolsas integrais pessoas legais e interessadas, mas também aquelas perdidas e que tiveram um ensino médio, pré-universitário, precário, na Escolinha Municipal Carla Perez.

A foca, perdida, atônita pela cidade, não sabia mais o que fazer, e para sua surpresa, sua historia nem tinha começado. O ensino superior no Brasil estava decadente (ainda está) e o que ela não esperava aconteceu. O jovem universitário teve que agüentar dias de greve na universidade, que era particular, mas não tinha vergonha na cara e respeito com seus funcionários, chegando a atrasar os salários em três meses, sem qualquer justificativa.

Tudo bem, tudo bem. André nessa época, até tinha conseguido um estágio na própria instituição, continuava se destacando e convencendo àqueles que ainda duvidavam que ele seria uma ótima foca de redação. Recebia uma bolsa medíocre de 30%, mas não desanimava. O sonho de ser jornalista não lhe saía da cabeça.

Chegou a fazer doze disciplinas no mesmo período, e conseguia conciliar tudo, tirando boas notas e sempre sendo elogiado por onde passava. Mas talento no Brasil é cocô. O negócio agora era fazer curso de Petróleo e Gás, a modinha do momento, afinal a Petrobrás, tinha descoberto Tupi, em Campos e eles estavam precisando de pessoal para tirar petróleo do pré-sal há dois mil e caralhada quilômetros de profundidade. A jovem foca não tava nem aí pro petróleo, e continuou no ramo da informação. Até que um dia, já no finalzinho de seu ciclo acadêmico conseguiu um estágio do governo, no IBGE, simmmm o governo finalmente tinha ouvido as preces de socorro de André e sua carreira.

Ele se dedicou, inovou no estágio, se destacou e aprendeu horrores, mas o governo federal decidiu criar uma lei em favor do estagiário, QUE EXCELENTE! Entretanto demorou uns três meses para botar a lei em vigor e escrever o que ela deveria obrigar. O que aconteceu? O contrato da foquinha que durava seis meses e estava pra ser renovado, foi embargado por conta da lei, que proibiu que órgãos públicos renovassem contratos de estágio até nosso congresso bater o martelo. André perdeu o estágio 3 meses antes do programado, lá ele ganhava R$367,00, menos de um salário mínimo, que ele gastava em transporte, basicamente, de ida e volta pro trabalho.

Triste e abatido, André perdeu o emprego e aproveitou para se dedicar à monografia. Mais uma vez ganhou destaque e conseguiu grau 10 na apresentação. O coordenador do curso não titubeou, como prerrogativa usou a elegância do jovem, pegou a listinha de telefones, fez uma carta de indicação para ajudar André a entrar num jornal de verdade e enfim conseguir sua tão esperada vaga num impresso. O jovem se formou finalmente e seis meses mais a tarde a bomba! “Supremo Tribunal Federal veta a obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo”, ou seja, qualquer boçal ganhou o direito de escrever qualquer coisa em qualquer jornal, o governo acabava de atestar no Supremo que o diploma de quatro anos de estudo serviu-lhe para porra nenhuma. O aprendizado nesse tempo, pelo menos, ficou guardado com André.

Mais os meses se passaram... Ninguém mais acreditava em nada, até que André sempre curioso e correndo atrás, conseguiu ser aprovado na UERJ, no programa de pós-graduação. Que felicidade a do menino!! André estava muito feliz, afinal não ia abandonar os estudos e a chance de conseguir uma vaguinha como foca de redação que ele tanto queria. Mais uma vez o governo não estava do seu lado, ele tinha conseguido uma vaga em faculdade pública, mas havia boleto bancário! Como assim? Simmmmm, 16 parcelas de R$380,00. E mais dinheiro era investido na carreira da foca.

Finalmente em abril, depois de zilhoes de entrevistas, André conseguiu entrar para o Jornal do Brasil, aquele de grande renome há 50 anos atrás, esse mesmo! Escreveu matérias, foi meio tolhido, mas chegou a ser capa do caderno cidade de domingo, roubando atenção de editores executivos do jornal, que começaram a acompanhar seus textos e elogiar frequentemente seu trabalho. Os meses se passaram e André conseguiu a tão esperada vaga de foca, o que não imaginava, é que o jornal estava realmente semi-falido, moribundo no mundo da imprensa, e seu trabalho simplesmente não seria remunerado. “- Como pode?”, questionou o rapaz.

O agora recém-formado parou, pensou, arregalou os olhos, bateu as nadadeiras e pôs-se a chorar. A foquinha tinha descoberto que tinha ido parar naquele lugar tão horroroso que Toni não queria que ela fosse. Descobriu que o Brasil, aquele país lindo cheio de sonhos, aquele que enfrentou a crise mundial como uma marolinha, aquele que tem a maior floresta tropical do mundo, era o próprio circo. E que a população brasileira eram aqueles animais maltratados pelos domadores.

A partir daí, tudo fez sentido pra André. Ele começou a entender porque os animais eram tão abandonados pelo IBAMA que deixada o tráfico de silvestres rolar solto, entendeu porque a cidade do Rio e as grandes metrópoles nacionais sofriam com a violência urbana, afinal existiam alguns selvagens não domesticados espalhados por lá. Teve uma aula de democracia e justiça com Zé Dirceu e Zé Sarney e ainda uma aula de empreendedorismo com Sérgio Cabral e a Cidade da Música. A educação no Brasil não era levada a sério, porque se destacar em prova do governo e perder vagas pra pessoas com menores desempenho por serem negras, lutar contra 42 concorrentes pra ter aula em sala quase sem teto e em prédio sem água, pagar e enfrentar greve, perder um estágio porque a lei não havia sido escrita a tempo, passar pra pós em faculdade pública e receber um boleto bancário no ato da matrícula e estudar quatro anos e obter um diploma desvalorizado seis meses depois por se tornar não obrigatório pelo STF é algo que poderíamos tranquilamente assistir num espetáculo de circo, e levar nossas crianças pra se divertir. Seria cômico senão fosse trágico.

Final da história: Toni está muito triste na Inglaterra longe de André, André está lutando em outro jornal sem remuneração e correndo riscos. E a educação no Brasil? Esta se encontra internada, num leito do Souza Aguiar, não agüentou o sufoco, o pouco caso do governo e de sua negligência frente aos sintomas graves que a acometeram nas últimas décadas. Foi internada às pressas num UPA da vida, mas teve que esperar a assistente social achar uma vaga num hospital maior, o diagnóstico: metástase, tumores no corpo todo, da creche ao ensino superior. O pior é saber que ela está nas mãos da saúde pública que também anda enferma.

16 de outubro de 2009

Amam-me e não sei corresponder

Muito já li sobre amores perdidos, platônicos ou frustrados,

Não sei bem o que é amar, tal quanto sei o que é ser amado.

Amo de menos, me amam demais.

Que coisa estranha num mundo individualista,

cheio de mentes perspicazes e insatisfeitas

buscando o amor que não vem, masoquista.

Estranho comentar que irritado fico

por nem sempre saber retribuir o que sentem por mim.

Ahh o amor, o nosso amor é um, os dos outros parece maior,

mais perdido, mais infame, sem fim.

Já amei mais que fui amado, mas já fui amado mais que amei,

se na primeira me debulhei em lágrimas,

na segunda em lágrimas me afoguei.

É difícil não ser correspondido,

mas soa estranho não corresponder.

Me amam e não sei o quanto dói

naquele coração que reluta pra me esquecer.

Se um dia eu amei, hoje eu sou amado.

Se me frustrei sem querer, não amo,

mas deixo o outro magoado.

Chorei e hoje sou motivo de pranto, de lágrimas,

de melancolia e insatisfação.

E senão chego a tal ponto, sei que incomodo, não correspondo,

não me atiro nos braços daqueles que me amam em vão.

Muito embora não esteja certo,

não lhes tiro os olhos nem lhes nego a mão,

Não deixo de dar os abraços apertados de perto,

nem lhes dou um empurrão.

Não é sadismo. É uma carência tolhida e reprimida,

interiorizada nos cantos mais sinuosos das válvulas de meu coração.

E se já reclamei por não ser amado um dia,

hoje agradeço aos votos com nem tanta alegria,

aos que amam tristonhos e vos peço perdão.



Por André Luiz Barros


2 de setembro de 2009


O "paradebate.blogspot.com" exige com cortesia o fim das roubalheiras e falcatruas na política brasileira, em especial no Senado Federal. De todos, ainda nao o considero o pior e acredito estar sofrendo uma perseguiçãosinha midio-política, mas Zé Sarney, sai daí filhote e se junta ao seu homônimo Zé Dirceu vai!!

28 de agosto de 2009


Visite e leia a coluna $ucesso S/A do jornal O Estado RJ Online (clique aqui)

11 de agosto de 2009

La bohéme

(prospectos do espetáculo La Bohéme pelo mundo, em Madri, Buenos Aires, Roma e Rio de Janeiro)

A boêmia carioca dos bares da Lapa, a boemia italiana da música e ballet de G.Puccini e a boemia francesa de Aznavour, num retrado do estilo de vida que atingiu a burquesia da metade do século XX e disparou no pós-guerra avante a juventude mundial, transviada, alucinada e sedenta pelo mercúrio do cuspe, da saliva e do gozo, frente às drogas, à liberdade da expressão e ao sexo. A boemia traz consigo, de imediato, a idéia de dissolução, de vícios, de inconsequencia, de noites de embriaguez e, por conseqüência, de dias de ócio, para curar a ressaca. Álcool e alguns pastéis, e o boêmio se vai pelas esquinas frias e mal iluminadas da madrugada em busca de um amor, mal resolvido, de um sexo pago, de um amigo não deprimido para afogar as mágoas e extrair o riso solto do bêbado equilibrista de Elis Regina. Charles Aznavour, em seu tom mais sóbrio-ébrio de todos nos traz uma canção francesa, narrando uma das noites desse pobre feliz embriagado nas fúnebres e desrreguladas madrugadas de insonia em busca da felicidade perdida. E se ainda tomam a boemia como indisciplina e desvio, eu ainda tomo a boemia como arte, a arte de falar o impensado, o irracional e de colocar pra fora as veias da humanidade insana que nos cerca e vive calado refém do medo dos limites que a sociedade lhes impõe.


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Lá Bohéme - Charles Aznavour

Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans
Ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là
Accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres
Et si l'humble garni
Qui nous servait de nid
Ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criait famine
Et toi qui posais nue
La bohème, la bohème
Ça voulait dire on est heureux
La bohème, la bohème
Nous ne mangions qu'un jour sur deux
Dans les cafés voisins
Nous étions quelques-uns
Qui attendions la gloire
Et bien que miséreux
Avec le ventre creux
Nous ne cessions d'y croire
Et quand quelque bistro
Contre un bon repas chaud
Nous prenait une toile
Nous récitions des vers
Groupés autour du poêle
En oubliant l'hiver
La bohème, la bohème
Ça voulait dire tu es jolie
La bohème, la bohème
Et nous avions tous du génie
Souvent il m'arrivait
Devant mon chevalet
De passer des nuits blanches
Retouchant le dessin
De la ligne d'un sein
Du galbe d'une hanche
Et ce n'est qu'au matin
Qu'on s'asseyait enfin
Devant un café-crème
Epuisés mais ravis
Fallait-il que l'on s'aime
Et qu'on aime la vie
La bohème, la bohème
Ça voulait dire on a vingt ans
La bohème, la bohème
Et nous vivions de l'air du temps
Quand au hasard des jours
Je m'en vais faire un tour
A mon ancienne adresse
Je ne reconnais plus
Ni les murs, ni les rues
Qui ont vu ma jeunesse
En haut d'un escalier
Je cherche l'atelier
Dont plus rien ne subsiste
Dans son nouveau décor
Montmartre semble triste
Et les lilas sont morts
La bohème, la bohème
On était jeunes, on était fous
La bohème, la bohème
Ça ne veut plus rien dire du tout

INDICAÇÃO DO BLOG:
Essas e outras músicas do grande artista francês, poderao ser ouvidas no palco do Vivo Rio, no Flamengo, RJ, no dia 15 de setembro, em única apresentação. Aos 85 anos, o cantor, compositor e ator nos dará o privilégio de ouvi-lo, acompanhado por sete músicos e duas backings vocals, o artista apresenta uma coletânea de sucessos da carreira – como “She”, “La Bohême”, “Que c'est triste Venise”, “La Mamma”, “Ave Maria”, “Les émigrants”.

23 de julho de 2009

Mais altos? Mais ricos?

(Foto: Armani)

Na verdade, não confio tanto nessas pesquisas infundadas que o Jô muitas vezes usa pra abrir o seu programa. Um estudo dedicado a relação entre sucesso profissional e altura do homem pouco convence minha cabeça, entretanto, como existe uma base científica e uma metodologia razoavelmente aceitavel resolvi postar a matéria da FOLHA ONLINE aqui no blog. Só LÁ LÁ Romarinhos de plantão, mas o resultado da matéria realmente envaideiceu os meus 1,83 metros de altura. (Matéria segue abaixo)

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HOMENS MAIS ALTOS RECEBEM MAIORES SALÁRIOS, diz estudo.

Um estudo feito por cientistas australianos indicou que homens mais altos levam vantagens quando o assunto é salário.

Uma pesquisa feita com 7.000 pessoas concluiu que 5 centímetros a mais de altura equivalem a um adicional no salário de cerca de 950 dólares australianos --quase R$ 1,5 mil-- por ano.

É quase igual ao aumento por um ano a mais de experiência, afirmaram os autores do estudo.

A pesquisa foi conduzida na Austrália, considerando a altura média de um homem de 1,77m.

"Nossas estimativas sugerem que se este homem tivesse 1,82 m ganharia cerca de 1,5% a mais", afirmaram os autores do estudo, os economistas Andrew Leigh, da Universidade Nacional Australiana, e Michael Kortt, da Universidade de Sydney.

"É quase igual ao ganho de salário por um ano a mais de experiência."

Para os cientistas, a explicação para este fato pode estar ligada ao "respeito" que pessoas mais altas despertam em outros indivíduos, ou na confiança advinda de uma vantagem inicial em atividades sociais e esportivas durante a infância e adolescência.

A pesquisa australiana reforça conclusões semelhantes sobre a relação entre altura e salário em pesquisas feitas em outros mercados de trabalho, como os Estados Unidos, o Reino Unido e o Brasil.

Mas à diferença do que se observa em outros países --Alemanha e EUA, por exemplo--, os pesquisadores não observaram relação entre salário e o índice de massa corporal, o indicador que mede se um indivíduo está dentro, acima ou abaixo do peso, ou se é obeso.

"Não detectamos punição salarial por estar acima do peso ou obeso no mercado de trabalho australiano."

Leigh e Kortt disseram que esta discrepância pode ser explicada pela falta de homogeneidade nas estatísticas ou por uma diferença de atitudes em relação à obesidade nos diferentes mercados de trabalhos.

A pesquisa também avaliou a relação entre a altura e salário entre mulheres, mas o efeito, ainda que existente, foi considerado demasiado pequeno.

Segundo Leigh e Kortt, um adicional de 1,5% no salário das mulheres só é verificado entre aquelas com cerca de 10 centímetros a mais de altura.



FONTE: BBC Brasil


21 de julho de 2009

"paradebate.blogspot.com" faz seu apelo por um mundo feito de pessoas mais sensatas e racionais.

15 de julho de 2009


"paradebate.blogspot.com" pede um BASTA na violência urbana das grandes metrópoles do Brasil e nas pequenas cidadezinhas do campo também!!!!

13 de julho de 2009

Arte, beleza e história, da Rússia para o Rio de Janeiro

Por André Luiz Barros, O ESTADO RJ (13/07/2009)

Desde o final de junho o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro abriu as portas para a maior exposição de obras russas que já veio ao Brasil. As 123 obras de arte ficaram hospedadas até dia 23 de agosto na cidade, entre telas, esculturas e instalações, resi- dentes oficialmente no Museu Estadual de São Petersburgo. A mostra reúne importantes artistas modernistas da vanguarda russa, entre eles, Rodtchenko, Malievitch, Kandinsky, Tatlin, Chagall e o pouco conhecido no Brasil, mas não menos talentoso, Pavel Filónov.

Quem se dispor a visitar a exposição pode esperar um impacto do belo sobre os sentidos, num show de cores, arte e história. A vanguarda russa, representada pelo suprematismo e o construtivismo, trouxeram a mágica dos pincéis e da arquitetura feita pelas mãos de grandes nomes da arte mundial e marcaram época depois do movimento conhecido como outubro vermelho da Revolução Russa.

É interessante notar como a cultura popular é representada nas telas. O abstracionismo de Nadiejda Udaltsova em “Restaurante” é uma completa viajem subliminar, através de traços firmes e de cores fortes, mostrando a confusão do surgimento dos ainda recém-nascidos campos de interação social da cidade, ainda em construção.

As pinceladas de Vassili Kandínski encantam qualquer espectador. Através de uma visão apurada do mundo, sua obra é marcada por um choque colorido e geométrico. Do outro lado, artistas como Natalia Gontcharova ou Mikhail Lariónov, assinaram famosas telas que rabiscam a óleo cenas do cotidiano rural da Rússia.

De todos os artistas, dois merecem especial destaque, Kazimir Maliévitch e suas dezenove obras, que explicitam bem o interesse de ruptura vanguardista e a busca por uma utopia pela construção de um novo mundo, e o pouco conhecido no ocidente, Pavel Filónov. Três telas de Maliévitch inauguram o suprematismo na pintura: a cruz, o quadrado e o círculo preto sobre fundo branco despertam-nos a curiosidade pela interpretação. Se por um lado, Maliévitch, já representa mundialmente o suprematismo russo, de outro, Pavel Filónov, é autor de obras incríveis, mas ainda pouco conhecidas e valorizadas no ocidente. As pinturas “Duas meninas”, por exemplo, mostra o talento de Filónov, que causa um frenesi especial nos visitantes da exposição através do ar cubo-futurista de suas telas, algumas parecem terem sido cobertas de camurça, tamanha sensação de tato visual nos apreciadores.

A exposição está distribuída em várias salas do CCBB e expõe ainda Mark Chagall e Aleksandr Rodtchenko, diferentes expressões da vanguarda russa, que evidenciam a heterogeneidade do movimento. O suprematismo e o construtivismo fizeram parte de um movimento cultural ocorrido entre 1890 e 1930 que repercutiu numa grande mudança na história da arte. As obras são história viva da Rússia.



12 de julho de 2009

O presente perfeito para o dia dos pais de 2009

Todo mês de julho é a mesma coisa, uma pergunta paira na cabeça de todos: o que dar de presente para meu pai no segundo domingo de agosto? Se por um lado a crise mundial ainda traz insegurança aos bolsos dos brasileiros, ainda que a economia de nosso país esteja num circuito rippie de “paz, amor e harmonia”, nem todo mundo está com grana pra gastar. Os mais abastados por sua vez, que segundo o Ipea trabalham três meses a menos que uma gama de mortais que recebem até dois salários mínimos, na pressão dos juros dos cartões de crédito, também reservaram uma quantidade humilde com as despesas do presente, e agora? O que nos resta fazer?

Fugir da velha e sem graça lembrancinha, e dar um presente legal sem pesar no orçamento, aproveitando a boa onda inflacionária parece ser um missão difícil, mas não impossível, a questão é ter boas ideias e originalidade.

A prorrogação da isenção de IPI, Imposto sobre produto industrializado, divulgado no começo de julho por Mantega, nos dá uma gama de sugestões. A linha branca de eletrodomésticos continua em alta, bem como os automóveis que bateram recordes históricos de vendas no Brasil no último mês, mas televisão, geladeira, carros e motos, são muito caros, e exigem um planejamento prévio no gadget mensal. As besteirinhas nunca têm muita receptividade, dar meias e cuecas soa falsidade e falta de amor, afinal pai é pai.

Parei, refleti um pouco e como mudar nesse ano? Já dei até aqueles objetos pra casa, que é o tipo de presente que damos para a avó chata daquele nosso amigo pentelho, como saca-rolhas, cortador de pizza e perfume Natura. A crise mundial está aí, resolvi então dar uma de esperto, ser original sem perder a pose.

O mundo está endividado, até os EUA, os grandes consumidores da Terra ouviram de Obama que terão que se acostumar com o aperto. O dólar está se desvalorizando frente ao real, e valendo em torno dos um e noventeipouco, entre altas e baixas, fica estacionado na dezena dos 90. O consumo mundial se aquecendo aos poucos, e os empregos cada dia mais a Deus dará, vide últimos anúncios de demissão de multinacionais na Europa. A queda da produção industrial mundial, herdeira da falta de poder aquisitivo, produz em escala consumidores fracos no mercado, um elemento se destaca e entra na faixa de valor ideal que posso gastar pro presente do papai: o Petróleo.

Após alta até o ano passado, a crise mundial já afetou o valor dos barris de Petróleo, causadores de tanta ganância e guerra no oriente médio e Afeganistão. A desaceleração da economia mundial repercutiu na queda do valor esse elemento não renovável e de grande expressão econômica na Terra. Apesar de algumas decepções aqui no Brasil, que é “auto-sustentável” não sei aonde, já que agora não é só o whisky que está dividido entre bom e ruim, o petróleo, pasmem, também é classificado dessa forma, e para nossa surpresa, o problema é que o nosso petróleo, da monopolista Petrobrás, não é bom, daí, a necessidade de importação do material de fora. As últimas notícias nem são tão animadoras, depois de tanto estudo e boatos sobre como extrair petróleo da camada pré-sal do Campo de Tupi, o resultado foi um pouco desestimulante e brochante, a multinacional que ficou por conta de tentar extraí-lo de milhares de metros de profundidade, não achou nada, nem gás sequer.

Isso só me mostra que ter petróleo em mãos, dá poder, dá status. O petróleo causa guerras internacionais, causa especulação enquanto comodditie, está como investimentos em forma de ação no mercado financeiro, vai acabar por ser um fonte de energia não-renovável na natureza, é uma grande fonte de renda para municípios brasileiros em forma de royalties, e com a crise mundial só recuperará sua demanda em 2011 segundo a própria OPEP, ou seja, o preço está em conta, e o material é valorizado em todo o mundo.

Pode ser uma viagem pela atual economia mundial, mas eu já tenho o meu presente pro dia dos pais, vou dar a ele um singelo barril de petróleo, que está sendo vendido hoje, a quase 100 dólares a menos que o ano passado, por apenas 60 dólares, ou com o dólar do jeito que tá, por apenas R$ 120,00. Só tenho que aproveitar o momento enquanto o Banco Central do Mr. Meirelles não inventa de leiloar a verdinha americana, mas tadinhos dos exportadores, sejamos solidários né.

Aproveitando o encejo, FELIZ DIA DOS PAIS SR. ANTÔNIO JOSÉ (meu pai)!!