Zumbi na Cultura do Candomblé


(Dia de todos aqueles que como eu, se declaram filhos de Zumbi dos Palmares, desse grande líder brasileiro, que lutou pela beleza e liberdade de nossa negritude)
É de lei! Mal novembro começa e no intervalo da novela das oito um jingle nos acomete. Docinho, docinho, pelos ouvidos... e de repente... “Já é Natal na Leader Magazine... 100 milhões de dias pra pagar, é bom você aproveitar!!”. Esse ano o Natal parece que vai ser gordo, a marolinha de Lula já passou e a maré parece estar pra peixe. O IPI da linha branca continua reduzido até 31 de janeiro de 2010 e o comércio registra alta pelo quinto mês consecutivo em setembro, a Petrobrás escavou mais um buraco em Tupi com sucesso, 18,5 milhões de pessoas ascenderam seu poder aquisitivo nos últimos três anos no Brasil, a moeda está valorizada, a taxa de juros básica (Selic) ainda é alta, mas estagnada há um tempinho... As noticias são boas e aparentemente animadoras. Mas e o bom velhinho?
A crise mundial está se abrandando, mas parece que ele está inseguro, ouvi dizer que Papai Noel esse ano vai abrir a mão pra geral, mas vai desembolsar um extra para investir
O IOF vai ficar, junto com aqueles pratos de frutas pintadas que só saem do armário em dezembro e pra lá voltam no dia 26 do mesmo mês. O Real está indo de vento em poupa, tendo quedas ralinhas, mas estável, bom pra quem quer conhecer a derrota norte-americana, viajar pros EUA agora é excelente ideia.
Esse ano foi o ano da zebra, Clodovil Hernandes, Dercy Gonçalves e Michael Jackson se encontraram com Jesus (ou com o diabo, quem sabe?) e um helicóptero chegou a ser abatido no Afeganistão... oops no Rio de Janeiro. Mas Papai Noel não está nem aí, ele acompanhou a saga da cidade da música na Barra e seus 500 milhões de reais pra semiconstruir aquele elefante cinza, como é popularmente conhecido o neo-antro da cultura erudita de nossa cidade maravilhosa, que por sinal está mais gay do que nunca, ganhou até o título de melhor destino gay global pela MTV.
Enfim... a Petrobrás continua quebrando a cabeça pra tirar leite de pedra.. oops petróleo de pedra... oops petróleo do pré-sal, quase pedra e não é que a filha da mãe consegue tirar isso lá de baixo! Podia tentar tirar os corpos do acidente da TAM que estão no Atlântico. A essas famílias o bom velhinho não poderá garantir o melhor dos presentes, a Justiça. No Brasil, nem sempre a Justiça tarda e não falha, aqui ela sempre tarda, tarda bastante mesmo, e às vezes falha!
Eu sei que nesse ano a classe média e a pequena burguesia, agora infladas com o pessoal que enriqueceu do nada, vão gastar mais. Estão previstos a injeção de R$85 bilhões na economia brasileira só com o décimo terceiro. Tudo bem que o pessoal vai começar o ano fufu... mas isso é de lei.. e olha que Papai Noel não estará aqui para dar os lápis e canetas pras crianças no início das aulas não hein moçada.
A economia está felizinha e a Dilma vai se eleger ano que vem como candidata a presidência. Nãooooooooooooo! PAC não chegou em Bangu e nem perto daqui. O bom velhinho me disse que esse ano o natal será mais poupudo e bastante diferente.
Vamos trocar a cafona “Noite Feliz” tocada em teclado quando pequeno pela minha prima e ceiar ouvindo o arrojado ”Bota com raiva, bota com raiva!!”e comemorar a pseudo-tsunami passando o Mantega no piru.. oops! Passando manteiga no peru e botando com raiva ele para assar no fogão de seis bocas novo. Kk
Aaaaa e o Papai Noel, ele é brasileiro, e está dentro milhões de pessoas que subiram de vida de acordo com o Ipea, ele vai abrir uma caixinha nas Ilhas Caimãs e passar a noite fumando charutos cubanos com uma boa garrafa de Chandon do lado.
Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2009
A comédia Tartufo, de Moliére, tão condenada pela Igreja Católica no século XIV, por ter como protagonista um integrante do clero um tanto quanto dissimulado, parece ter saído das páginas da literatura francesa e ganhado vida própria numa das paróquias do vicariato da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Digo isso, porque hipocrisia, injustiça e falsos religiosos parecem ter acometido a Igreja que freqüento, em Bangu.
No final do ano passado me matriculei no curso de Crisma, juntamente com uma amiga e minha irmã. Por elas terem passado pelos mesmos problemas e termos ligação afetiva e familiar bastante forte, tomo a liberdade de narrar nas próximas linhas nossa triste jornada na Crisma 2009 na Igreja de São Lourenço e Nossa Senhora de Fátima.
No começo íamos de fato com muito prazer, até para minha surpresa, pois nunca freqüentei a Igreja com tanta assiduidade, mas aquela tinha realmente sido uma forma feliz de voltar a freqüentar as missas e aproximar-me ainda mais de Deus. Entretanto passaram alguns meses e começamos, eu, minha irmã e essa minha amiga, a sentir certo preconceito devido a fatores bastante fúteis e dispensáveis. O propósito inicial de comunhão estava sendo perdido, junto com nossa vontade de freqüentar o curso, muito embora, tenhamos ido até o último dia.
Durante o curso, ministrado por uma ex-praticante de religião afro e da cartomancia, fomos por vezes, postos em voga e criticados por adotarmos em determinados casos uma postura às vezes indagadora, devido em especial, ao fato de já sermos alunos universitários e termos, por naturalidade, maiores questionamentos. Nossas perguntas eram freqüentes, mas jamais faltavam com o respeito ou iam contra os dogmas da Igreja, apenas eram dúvidas pertinentes aos temas tratados e os questionamentos, eram sem dúvida nenhuma, questionamentos de outros alunos, que preferiam absterem-se das dúvidas e encarar o silêncio e a alienação. Gostaria de deixar claro, que desde o começo, esse comportamento foi atribuído e relacionado pelos coordenadores e catequistas, ao nosso grau de instrução. Eu sou jornalista e faço pós-graduação
Também no decorrer do Crisma, um fato nos deixou bastante incomodados, e esse foi o estopim para que fôssemos banidos de completar o curso e recebermos o sacramento. Num dos retiros realizados pela pastoral, um jovem de 16 anos, que por sinal é bastante conhecedor da palavra de Cristo e inclusive vemos com freqüência no altar durante as missas, lidando com instrumentos sagrados por ser coroinha, numa conversa informal, faltou com respeito para conosco (me incluo por ter me ofendido perante a maneira com que se referiu a minha irmã). Usando palavras de baixo escalão, termos extremamente vulgares, que fico envergonhado em pronunciar, sugeriu que minha irmã e minha amiga, caso ainda não fossem puras, teriam excelentes performances sexuais assim que a praticassem; narrou experiências sexuais bizarras e extremamente constrangedoras dentro da própria Igreja; e disse conhecer a beleza da genitália feminina através dos pés, apontando para os pés das meninas que estavam a seu redor. Gostaria de deixar claro, que usei o eufemismo para descrever a fala do rapaz, já que os termos usados por ele, estão muito longe desse grau de discrição e respeito. O jovem ainda acusa abertamente o pároco da Igreja de ser um mercenário e só pensar
Chegamos em casa, contamos a nossa mãe, e pedimos para que não fôssemos ao segundo retiro já que a experiência espiritual havia sido completamente deixada de lado por termos sido abordados por tamanha ofensa. O retiro, que foi massivamente tratado como obrigatório, teve nossa ausência justificada por nossa mãe uma semana antes. A justificativa foi aceita pela coordenadora que não se manifestou contra. Deduzimos que nossa falta havia sido abonada.
Uma semana depois, fomos até a reunião do Crisma, como de praxe, e a mesma coordenadora não aceitou a documentação exigida para completarmos o curso alegando que havíamos sido retirados do grupo do crisma devido a nossa falta (justificada) no retiro. A situação constrangedora foi até o Padre da Igreja, a Vossa Referência Padre Marcelo, que recebeu minha mãe, minha irmã e eu com total arrogância e um discurso bastante irônico, afirmando o que já tínhamos ouvido da coordenadora.
Ao questionar nossa saída com o Padre, ainda fui informado que havia sido feita uma negociação, uma barganha acerca das faltas dos alunos: quem fosse ao retiro teria as faltas abonadas. Em alguns casos, quatro meses de ausência das classes foram justificados pelo simples fato da pessoa ter ido ao retiro. E daí fica a pergunta: Com que propriedade a coordenação do Crisma, sob responsabilidade de nosso Padre fez isso, sabendo que o Crisma baseia-se no Catecismo da Igreja Católica e no Livro da Crisma que permite o crismando faltar apenas até 25% do total de aulas?
Gostaria de ressaltar ainda, que eu, Andressa, e minha irmã, fazíamos parte de uma pequena gama de no máximo meia dúzia de jovens que participavam ativamente das classes, lendo trechos da Bíblia quando solicitados e apresentando os trabalhos
Passado o ocorrido já não pretendemos concluir o Crisma, mesmo que não tivéssemos sido banidos pelo Padre. Cumprir um sacramento diante de toda essa situação é completamente infundado e sem sentido.
Gostaria de humildemente questionar:
* Faltar a um retiro mesmo com justificativa é pior do que faltar com o respeito a fiéis dentro das imediações da Igreja, usando termos vulgares e eróticos?
* O histórico religioso da família e a conduta do crismando durante o Crisma e sua participação não são levados em conta nessa hora?
* Fazer perguntas sobre temas em discussão, só por serem polêmicos é proibido dentro da Igreja?
* Onde está a vocação de nosso Padre, que nos atendeu com total frieza e arrogância?
* Como as catequistas devem ser preparadas para ministrar o Crisma? Ouvir, na íntegra e exatamente com esses termos, que “homossexuais são animais” e que “camisinha não previne DSTs, sequer a AIDS” é bastante complicado para quem tem acesso à informação.
* Que critérios são usados para se excluir um crismando do curso? Afinal de contas existem jovens que faltaram o triplo de vezes que eu faltei.
Enfim, me senti perseguido, sofri discriminação, fui constrangido e injustiçado por uma instituição que julgava ser imparcial, justa e agregadora. O que vi não foi isso. Recorro a arquidiocese do Rio de Janeiro para que encontre uma explicação e uma justificativa digna e pertinente à minha exclusão do curso de Crisma. A indiferença do Padre frente à situação descrita acima me deixou boquiaberto e infelizmente manter-se indiferente a maior autoridade da paróquia frente a essa situação é inaceitável. Afinal de contas, casos de pedofilia e assédio sexual dentro da Igreja, envolvendo inclusive o clero, os jornais já estão cheios. Tenho fé de que alguma providência seja tomada, bem como eu, estou certo que a Igreja Católica busca fiéis e tementes a Deus de verdade e não Tartufos medíocres e dissimulados.
André Luiz Lobo de Barros

Em meados dos anos 90, um filme conquistou a criançada cinéfila de plantão. André – Uma foca em minha casa se passava na zona portuária de uma cidade minúscula da Inglaterra. A foca protagonista conquistou o pequeno Toni, que com muita esperteza conseguiu adotar o animal e impedir que ele virasse atração de circo.
Bom, essa história aconteceu na Europa, sendo que o que o filme não contou e ninguém sabe, é que a foca André, 10 anos mais tarde, fugiu da cidadezinha inglesa e veio se refugiar do frio na região litorânea da costa brasileira, mais especificamente na grande Rio de Janeiro. A viagem foi cansativa, mas tão logo aportou em águas cariocas foi muito bem recebida e conquistou a todos que, muito embora, não acreditassem em seu destino feliz, achavam-na uma gracinha, simpática e muito inteligente.
A foca decidida e muito bem adestrada por Toni, logo se viu na condição de adulta, mesmo aos 17 anos, e tinha que a partir daí, que escolher seu futuro e desenhar como gostaria de viver. Havia várias possibilidades, trabalhar em circo (no sistema de escravidão); no Zoológico, sendo remunerada apenas com alimento; não trabalhar... mas o bicho inteligente parecia que tinha cérebro, e mais tarde ele ia provar isso a todos. Decidiu entrar numa universidade e trabalhar como foca num jornal, afinal de contas, as melhores focas das redações, garantem os cargos de editoria, os mais quistos do veículo. Para isso André precisava se destacar.
Muito sabido, o animal que já havia estudado inglês por 10 anos e arranhava um pouquinho espanhol, tentou vestibular para as melhores academias da cidade. UFRJ, UERJ, UFF... mas, por mais que fosse inteligente o suficiente para levar o curso, nenhuma delas o aprovou. A precariedade do sistema público de ensino superior era evidente, mas ele teve que lutar na escala de 42 candidatos por vaga na UFRJ pra seguir a carreira de jornalismo, não conseguiu. Na UERJ, não conquistou a vaga, por não se definir como negro, isso quase 50 anos depois da tese Hitleriana do arianismo e o darwinismo social terem sido postos em cheque, e completamente abatidos da Terra, no pós 2º Guerra Mundial. Mas não havia como ele convencer o reitor que aquilo era irracional e ignorante, e que ele não podia ser penalizado por conta de pecados abolicionistas da época do Império.
O governo brasileiro até chegou a testar os conhecimentos dele através do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), a média nacional na época não chegou nem a 4, enquanto o esperto André, tinha alcançado nota média quase no patamar de 9, o que não levou-o a lugar nenhum, além de gráficos estatísticos vergonhosos usados pelo IBGE, para medir a burrice da juventude brasileira e a uma matéria exatamente sobre o desempenho dele na revista Guia do Estudante, da editora Abril. André ficou desapontado, mas naquelas circunstâncias, nada lhe restava além de se matricular numa universidade particular. E foi partir daí que o coro resolveu comer, e uma série de incoerências e absurdos começou perseguir a foquinha, que mal sabia na época as regras que vigoravam na CLT.
Entrou numa primeira universidade em Realengo, próximo de seu lar, que despendia do orçamento mensal da residência onde ele vivia R$412,00 mensais. O curso era fraco, por vezes não tinha aula e sequer a informação de em qual sala ela seria ministrada. O MEC, uma espécie de conselho que analisa entre as coxas a qualidade do ensino no Brasil, não tinha dado ao curso uma boa nota naquele ano, mas não havia outra escolha. Meses depois, conseguiu estágio numa empresa, mas não tolerou a universidade e preferiu mudar pra outra melhor. Já na segunda universidade André conheceu pessoas novas, mas o que ele não esperava é que ela, batizada por uns e outros como Grana Filho, em referência às altas taxas praticadas, iria despender por mês mais de R$700,00 do bolso daqueles que lhes bancavam.
André e seus entes próximos foram até a reitoria da fundação, para tentar angariar algum desconto hipóctra de 10 ou 15%.
A foca, perdida, atônita pela cidade, não sabia mais o que fazer, e para sua surpresa, sua historia nem tinha começado. O ensino superior no Brasil estava decadente (ainda está) e o que ela não esperava aconteceu. O jovem universitário teve que agüentar dias de greve na universidade, que era particular, mas não tinha vergonha na cara e respeito com seus funcionários, chegando a atrasar os salários em três meses, sem qualquer justificativa.
Tudo bem, tudo bem. André nessa época, até tinha conseguido um estágio na própria instituição, continuava se destacando e convencendo àqueles que ainda duvidavam que ele seria uma ótima foca de redação. Recebia uma bolsa medíocre de 30%, mas não desanimava. O sonho de ser jornalista não lhe saía da cabeça.
Chegou a fazer doze disciplinas no mesmo período, e conseguia conciliar tudo, tirando boas notas e sempre sendo elogiado por onde passava. Mas talento no Brasil é cocô. O negócio agora era fazer curso de Petróleo e Gás, a modinha do momento, afinal a Petrobrás, tinha descoberto Tupi, em Campos e eles estavam precisando de pessoal para tirar petróleo do pré-sal há dois mil e caralhada quilômetros de profundidade. A jovem foca não tava nem aí pro petróleo, e continuou no ramo da informação. Até que um dia, já no finalzinho de seu ciclo acadêmico conseguiu um estágio do governo, no IBGE, simmmm o governo finalmente tinha ouvido as preces de socorro de André e sua carreira.
Ele se dedicou, inovou no estágio, se destacou e aprendeu horrores, mas o governo federal decidiu criar uma lei em favor do estagiário, QUE EXCELENTE! Entretanto demorou uns três meses para botar a lei em vigor e escrever o que ela deveria obrigar. O que aconteceu? O contrato da foquinha que durava seis meses e estava pra ser renovado, foi embargado por conta da lei, que proibiu que órgãos públicos renovassem contratos de estágio até nosso congresso bater o martelo. André perdeu o estágio 3 meses antes do programado, lá ele ganhava R$367,00, menos de um salário mínimo, que ele gastava em transporte, basicamente, de ida e volta pro trabalho.
Triste e abatido, André perdeu o emprego e aproveitou para se dedicar à monografia. Mais uma vez ganhou destaque e conseguiu grau 10 na apresentação. O coordenador do curso não titubeou, como prerrogativa usou a elegância do jovem, pegou a listinha de telefones, fez uma carta de indicação para ajudar André a entrar num jornal de verdade e enfim conseguir sua tão esperada vaga num impresso. O jovem se formou finalmente e seis meses mais a tarde a bomba! “Supremo Tribunal Federal veta a obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo”, ou seja, qualquer boçal ganhou o direito de escrever qualquer coisa em qualquer jornal, o governo acabava de atestar no Supremo que o diploma de quatro anos de estudo serviu-lhe para porra nenhuma. O aprendizado nesse tempo, pelo menos, ficou guardado com André.
Mais os meses se passaram... Ninguém mais acreditava em nada, até que André sempre curioso e correndo atrás, conseguiu ser aprovado na UERJ, no programa de pós-graduação. Que felicidade a do menino!! André estava muito feliz, afinal não ia abandonar os estudos e a chance de conseguir uma vaguinha como foca de redação que ele tanto queria. Mais uma vez o governo não estava do seu lado, ele tinha conseguido uma vaga em faculdade pública, mas havia boleto bancário! Como assim? Simmmmm, 16 parcelas de R$380,00. E mais dinheiro era investido na carreira da foca.
Finalmente em abril, depois de zilhoes de entrevistas, André conseguiu entrar para o Jornal do Brasil, aquele de grande renome há 50 anos atrás, esse mesmo! Escreveu matérias, foi meio tolhido, mas chegou a ser capa do caderno cidade de domingo, roubando atenção de editores executivos do jornal, que começaram a acompanhar seus textos e elogiar frequentemente seu trabalho. Os meses se passaram e André conseguiu a tão esperada vaga de foca, o que não imaginava, é que o jornal estava realmente semi-falido, moribundo no mundo da imprensa, e seu trabalho simplesmente não seria remunerado. “- Como pode?”, questionou o rapaz.
O agora recém-formado parou, pensou, arregalou os olhos, bateu as nadadeiras e pôs-se a chorar. A foquinha tinha descoberto que tinha ido parar naquele lugar tão horroroso que Toni não queria que ela fosse. Descobriu que o Brasil, aquele país lindo cheio de sonhos, aquele que enfrentou a crise mundial como uma marolinha, aquele que tem a maior floresta tropical do mundo, era o próprio circo. E que a população brasileira eram aqueles animais maltratados pelos domadores.
A partir daí, tudo fez sentido pra André. Ele começou a entender porque os animais eram tão abandonados pelo IBAMA que deixada o tráfico de silvestres rolar solto, entendeu porque a cidade do Rio e as grandes metrópoles nacionais sofriam com a violência urbana, afinal existiam alguns selvagens não domesticados espalhados por lá. Teve uma aula de democracia e justiça com Zé Dirceu e Zé Sarney e ainda uma aula de empreendedorismo com Sérgio Cabral e a Cidade da Música. A educação no Brasil não era levada a sério, porque se destacar em prova do governo e perder vagas pra pessoas com menores desempenho por serem negras, lutar contra 42 concorrentes pra ter aula em sala quase sem teto e em prédio sem água, pagar e enfrentar greve, perder um estágio porque a lei não havia sido escrita a tempo, passar pra pós em faculdade pública e receber um boleto bancário no ato da matrícula e estudar quatro anos e obter um diploma desvalorizado seis meses depois por se tornar não obrigatório pelo STF é algo que poderíamos tranquilamente assistir num espetáculo de circo, e levar nossas crianças pra se divertir. Seria cômico senão fosse trágico.
Final da história: Toni está muito triste na Inglaterra longe de André, André está lutando em outro jornal sem remuneração e correndo riscos. E a educação no Brasil? Esta se encontra internada, num leito do Souza Aguiar, não agüentou o sufoco, o pouco caso do governo e de sua negligência frente aos sintomas graves que a acometeram nas últimas décadas. Foi internada às pressas num UPA da vida, mas teve que esperar a assistente social achar uma vaga num hospital maior, o diagnóstico: metástase, tumores no corpo todo, da creche ao ensino superior. O pior é saber que ela está nas mãos da saúde pública que também anda enferma.
Muito já li sobre amores perdidos, platônicos ou frustrados,
Não sei bem o que é amar, tal quanto sei o que é ser amado.
Amo de menos, me amam demais.
Que coisa estranha num mundo individualista,
cheio de mentes perspicazes e insatisfeitas
buscando o amor que não vem, masoquista.
Estranho comentar que irritado fico
por nem sempre saber retribuir o que sentem por mim.
Ahh o amor, o nosso amor é um, os dos outros parece maior,
mais perdido, mais infame, sem fim.
Já amei mais que fui amado, mas já fui amado mais que amei,
se na primeira me debulhei em lágrimas,
na segunda em lágrimas me afoguei.
É difícil não ser correspondido,
mas soa estranho não corresponder.
Me amam e não sei o quanto dói
naquele coração que reluta pra me esquecer.
Se um dia eu amei, hoje eu sou amado.
Se me frustrei sem querer, não amo,
mas deixo o outro magoado.
Chorei e hoje sou motivo de pranto, de lágrimas,
de melancolia e insatisfação.
E senão chego a tal ponto, sei que incomodo, não correspondo,
não me atiro nos braços daqueles que me amam em vão.
Muito embora não esteja certo,
não lhes tiro os olhos nem lhes nego a mão,
Não deixo de dar os abraços apertados de perto,
nem lhes dou um empurrão.
Não é sadismo. É uma carência tolhida e reprimida,
interiorizada nos cantos mais sinuosos das válvulas de meu coração.
E se já reclamei por não ser amado um dia,
hoje agradeço aos votos com nem tanta alegria,
aos que amam tristonhos e vos peço perdão.
Por André Luiz Barros

Um estudo feito por cientistas australianos indicou que homens mais altos levam vantagens quando o assunto é salário.
Uma pesquisa feita com 7.000 pessoas concluiu que 5 centímetros a mais de altura equivalem a um adicional no salário de cerca de 950 dólares australianos --quase R$ 1,5 mil-- por ano.
É quase igual ao aumento por um ano a mais de experiência, afirmaram os autores do estudo.
A pesquisa foi conduzida na Austrália, considerando a altura média de um homem de 1,77m.
"Nossas estimativas sugerem que se este homem tivesse 1,82 m ganharia cerca de 1,5% a mais", afirmaram os autores do estudo, os economistas Andrew Leigh, da Universidade Nacional Australiana, e Michael Kortt, da Universidade de Sydney.
"É quase igual ao ganho de salário por um ano a mais de experiência."
Para os cientistas, a explicação para este fato pode estar ligada ao "respeito" que pessoas mais altas despertam em outros indivíduos, ou na confiança advinda de uma vantagem inicial em atividades sociais e esportivas durante a infância e adolescência.
A pesquisa australiana reforça conclusões semelhantes sobre a relação entre altura e salário em pesquisas feitas em outros mercados de trabalho, como os Estados Unidos, o Reino Unido e o Brasil.
Mas à diferença do que se observa em outros países --Alemanha e EUA, por exemplo--, os pesquisadores não observaram relação entre salário e o índice de massa corporal, o indicador que mede se um indivíduo está dentro, acima ou abaixo do peso, ou se é obeso.
"Não detectamos punição salarial por estar acima do peso ou obeso no mercado de trabalho australiano."
Leigh e Kortt disseram que esta discrepância pode ser explicada pela falta de homogeneidade nas estatísticas ou por uma diferença de atitudes em relação à obesidade nos diferentes mercados de trabalhos.
A pesquisa também avaliou a relação entre a altura e salário entre mulheres, mas o efeito, ainda que existente, foi considerado demasiado pequeno.
Segundo Leigh e Kortt, um adicional de 1,5% no salário das mulheres só é verificado entre aquelas com cerca de 10 centímetros a mais de altura.