6 de julho de 2010

Chuê, Chuá no Motel

Já não bastasse o certo desconforto logo na recepção ao pedir uma chave prum quarto simples, bem simples, de toda a decoração kitch de um bom quarto de motel, da ansiedade pré-sexo e de toda àquela euforia amsterdaniense de que essa noite vai ser boa, ou cá entre nós, "TEM que ser boa", para nós homens, sempre inseguros... dentre diversas coisas pra se preocupar, de coisasinhas pequenas que se deve esquecer na hora H e outras que nunca deve serem esquecidas, chega a tão esperada hora de ligar o chuveiro naquele quarto apertado a la toilllet de squat londrino de cortinas supercoloridas e indiscretas.

De todas as certezas de auto-afirmação que nós homens fazemos em todo o trajeto até o estabelecimento de prática sexual sem pudor e com discrição e de toda a construção da identidade selvagem e caliente de la sangre latino, me deparo com um objeto que pode acabar com tudo, que simplesmente pode queimar o meu pinto e tirar gemidos de minha parceira antes mesmo dela deitar-se na cama. Que dificuldade meu deus, que eu tenho, quando chega a hora de "temperar" a água num chuveiro de motel. É uma aflição que consome alguns ATPs no torce e retorce daquelas duas válculas filhas da mãe que nunca ou quase nunca tem indicação de qual lado é o quente e de qual lado é o frio, dizem os mais 'espertos' que todo mundo já sabe qual o lado sai água fria, e qual sai água quente, moro no Ocidente e sou canhoto, eu não sei.

"Coragem meu filho", essa frase é a que vem a minha cabeça toda vez que rodo a primeira vez aquela valvulazinha prateada que mais parece de pia de banheiro de shopping. A toalha ainda está quente, vem embrulhada num plástico estranho com uns sabonetezinhos que sonham em ser um Dove Milk and Sugar. Enfim, e começa o duelo. Roda daqui, roda dali, e ai.. me queimei... putz que frio.. aii carammba! Um melodrama mexicano sem Talíaa?!??!!? Sim.. e toda vez é a mesma coisa. Seria eu um lerdinho, inexperiente, fanfarrão e desorientado? Mas de todo mal, o menor, minhas acompanhantes sempre demonstram a mesma dificuldade

Aquela aflição nao passa e o que deveria ser um momento íntimo de carinho sob o véu felpudo da água sobre o corpo nú, simplesmente se torna algo um tanto quanto constrangedor, recheado de risadinhas ironicas e uma descontração que não.. não... não está no lugar e no momento certo para acontecer. Não existe sarcasmo no sexo existe? Risadas e sexo não combinam, antes, durante nem depois. Se antes, nossa que decepção, algo no seu corpo está errado ou pequeno demais... durante, nossa que decepção a posição está desconfortável... depois, nossa que decepção, nem foi tão bom como imaginei que fosse ser.

Enfim.. rir num motel nunca é o melhor remédio. Ou é? Senão é... sou a favor daqueles anti-éticos, porque na cartilha onde se diz que rir não é legal, os bem humorados sempre arrancam um suspiro pré nupcial e disfarçam toda essa situação fria e pitoresca de um quarto de motel. Sim... se o chuveiro não esquenta, e a água desilude sua farrinha, relax boyy, tenho uma saída ótima pra quem quer brincar sem se queimar, sem transformar sua night num caraokê romântico debaixo d´água. Brinque no matinho!

5 de julho de 2010

'No dia 16 de maio, viajei'

Naquela noite fria de sábado julino,
Mal dois passos conseguia trocar,
Sem rumo aquele abatido menino,
Foi pro largo, pra chorar,

A lua cheia, alumiava o arraial,
Com fome, sozinho, apenas com uma halls de menta,
Fugia da nostalgia luxuriosa da folia do carnaval, e de toda aquela tormenta.

Distante, pensamento solto, tristeza e melancolia,
Já nem se via mais sorrisos, não havia consolo,
Praquele sistema sertanejo sem alegria,

A mendigaria sedenta por atenção,
Logo surpreendera o rapaz,
Que já desesperançoso, cheio de feridas no coração,
Já nem sabia o que fazer mais

Foi quando um cigarrete da verdinha eu fumei,
Oferecido pela tia que me chamava de filho do dono da coroa,
Duas latinhas de cerva vos paguei,
Que se satisfizeram às 2 da matina com um pedaço de broa.

Naquela viagem subliminar,
Naquela seca por sentimentos sombrios do caralho,
A trilha sonora era do agreste, 'Taxi lunar',
Com a voz rouca do velho do sertão, o grande Zé Ramalho.

Até na rua eu dormi,
Esperei o sol nascer,
Ou eu voltava pra casa e saia dali,
Ou ficava ali e esperava morrer.